Empresa de segurança investigada pela PF cobra o Corinthians na Justiça

A Justiça determinou o prosseguimento de execução de título extrajudicial movida pela Kiara Segurança Privada Ltda contra o Corinthians, referente a notas fiscais inadimplidas no valor de R$ 503.967,23.
O clube foi citado para pagar a dívida em três dias, sob pena de penhora, com incidência de custas e honorários de 10%.
A cobrança ocorre em meio a questionamentos sobre a própria contratação da empresa.
A Kiara foi contratada para substituir a Workserv, iniciando a prestação de serviços em 27 de junho, embora só tenha obtido autorização da Polícia Federal para atuar em segurança pessoal em 25 de setembro, operando, portanto, de forma irregular por cerca de três meses.
O contrato, assinado posteriormente, previa custo mensal de R$ 358 mil até junho de 2026, totalizando cerca de R$ 8,6 milhões, além de cobranças adicionais que somavam pelo menos R$ 1,3 milhão.
Documentos indicam que a substituição da Workserv pela Kiara ocorreu em menos de 24 horas, com indícios de direcionamento.
As propostas concorrentes foram apresentadas apenas após o início da execução do contrato.
Há ainda suspeitas de que ambas integrem o mesmo grupo econômico, com mudança apenas de CNPJ e de responsáveis formais.
Relatórios de compliance do clube apontaram ao menos seis “red flags”, como ausência de funcionários registrados, estrutura empresarial incompatível com o faturamento, capital social reduzido e falta de autorização de seguranças.
Mesmo assim, a diretoria alvinegra manteve a contratação.
A empresa emitiu dezenas de notas fiscais ao Corinthians — algumas canceladas — com indícios de que o clube era seu único cliente, reforçando as suspeitas sobre a regularidade da relação contratual.
Eis as numerações das NFs (não sequenciais):
1, 2, 5, 6, 7, 9, 10, 12, 14, 15, 17, 18, 19, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 29, 30, 31, 33, 34, 35, 36, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 59, 60, 61, 62, 63, 64, 65, 67, 68, 69, 70, 71, 72.
A Kiara chegou ao Corinthians por articulação de Marcelinho Mariano, com evidente anuência do então presidente Augusto Melo.
