O ‘bobo da corte’ do Corinthians

Não é correto o comportamento de Osmar Stabile, presidente do Corinthians, com Marcelo Paz, contratado há pouco sob a promessa de profissionalismo e autonomia no cargo de executivo de futebol.
Sabia-se, desde o princípio, tratar-se de uma farsa.
O futebol do Corinthians é controlado por conselheiros que viabilizaram a eleição do presidente, que não possui coragem nem desejo — por conta das próximas eleições — de contrariá-los.
Paz chegou para dar uma ‘capa’ fajuta de que o Timão estaria se modernizando.
A realidade é bem diferente.
Stabile, que não tinha a menor chance de ser eleito pelo associado — sempre que disputou amargou a última colocação —, viu a presidência cair em seu colo após o impeachment de Augusto Melo e a aceitação de um acordo que o tornou refém voluntário de seus protegidos.
Poderia, durante o mandato, entrar para a história se tivesse coragem de romper com o sistema e, de fato, mudar o rumo da administração no Corinthians.
Não era, realmente, o seu perfil.
Oriundo da gestão Dualib, em que seu departamento, o de Esportes Terrestres — que comandou junto com o marginal Marcelo Mariano —, foi responsabilizado em esquema de desvio de dinheiro da Prefeitura de Osasco, resultando em condenação financeira ao clube, escorou-se no que há de pior na política alvinegra e, a eles, deve obrigações.
Tudo permaneceu como estava, com Marcelo Paz transformado em um otário bem remunerado para passar pano às incompetências e possíveis falcatruas no entorno do futebol alvinegro.
Ao executivo, resta saber o que lhe é mais caro:
Manter-se como ‘bobo da corte’, preenchendo os bolsos com boa remuneração, ao custo da credibilidade — já abaladíssima com as idas e vindas das negociações recentes —, ou preservar a biografia, afastando-se dessa gente.
Logo após o episódio Alysson, Paz entregou o cargo, mas foi demovido com a promessa de que algo parecido não mais ocorreria.
Tornou a acontecer.
Os próximos capítulos ajudarão a decifrar os objetivos reais do executivo — além de um pouco de seu caráter —, sem impacto, porém, no que já se sabia do presidente do Corinthians, que apenas reiterou a todos sua esperteza — no pior sentido da palavra —, além da ausência de tamanho para contrapor-se ao domínio nele exercido por seus ‘parceiros’ de gestão.
