Por que Osmar Stabile não afastou diretor investigado pelo MP-SP?

Ontem, matéria de Tiago Salazar, na Gazeta Esportiva, revelou que uma das empresas investigadas como repassadora de “notas frias” ao Corinthians, facilitando possível desvio de dinheiro da agremiação, tinha como contador o atual diretor jurídico do clube, Pedro Luis Soares.

Trata-se do Centro Automotivo Skapneu LTDA.

O caso se agrava quando se descobre que Soares, ao mesmo tempo em que atuava na contabilidade da empresa — na qual, por óbvio, havia grande possibilidade de saber tratar-se de operação fajuta —, também prestava serviços à administração de Duílio “do Bingo”, presidente apontado como possível beneficiário do esquema.

Após ser desmascarado, o diretor, que havia negado atuação na gestão investigada, admitiu o vínculo, minimizando, porém, o escopo de seus serviços:

“Por um período de tempo, colaborei com o departamento sob a égide do Herói apenas como assessor, não adjunto nem conselheiro, apenas para elaboração de tabulação de dados”.

“Ressalto que, sob minha gestão, foram entregues os documentos ao MP, inclusive o citado e elaborado boletim de ocorrência sobre documentos faltantes, invasão etc. (…) Nunca fui da base. Fiz um trabalho de demanda específica”.

Não é verdade.

O Blog do Paulinho apurou que Soares trabalhou em todos os contratos da base até outubro do ano em que deixou o cargo.

Há testemunhas.

Tiveram acesso a essa informação, além dos diretores da gestão Duílio “do Bingo”, os membros da atual Comissão de Futebol: Fran Papaiordanou, Flávio Adauto, Gilson Teixeira, Onofre Almeida e Ruy Marco Antônio Filho.

Outra coincidência: o filho do proprietário da Skapneu era jogador da base do Timão.

Soares é “peixe” de Paulo Garcia, dono da Kalunga, que tinha o irmão, Fernando Garcia, como grande interessado nos contratos de atletas jovens do Corinthians.

Evidenciam-se, assim, as razões da não colaboração do clube nos inquéritos que investigam ex-presidentes apontados como infratores, quando o responsável jurídico atuava justamente na gestão processada.

Razões não faltam para que Stabile o afaste do cargo.

Sobra, porém, rabo preso.

Além do acordo de proteção aos cartolas — que teria resultado na compra de votos que elegeu o atual presidente —, há o apoio político e financeiro dos Garcia, que não pode ser descartado no projeto de reeleição (do mandatário ou do grupo que o cerca), a ser disputada ainda em 2026.

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