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A gente brasileira passa por uma quadra surreal de sua existência

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Será o Carnaval responsável por tantos desatinos em tão poucos dias?

Pegue o Neymar, o melhor jogador do futebol brasileiro lá se vão alguns anos.

Pegue e pergunte o que ele deveria estar fazendo se a carreira como futebolista fosse a sua prioridade.

A resposta óbvia nem precisa ocupar espaço aqui.

Mas, não.

Em vez de estar tratando adequadamente de suas lesões no tornozelo e no dedinho, o craque se esbaldava nos camarotes carnavalescos, pouco se lixando para o que os torcedores do PSG possam achar a respeito.

Jovem, 27 anos, baladeiro, popstar e despreparado, Neymar não surpreende ao trilhar o mesmo caminho de Ronaldinho Gaúcho.

Mas se ele fosse engenheiro, seria diferente?

Pegue o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, que completará 62 anos daqui a 17 dias, formado em engenharia pela UFRJ.

Pegue e pergunte a ele, que assumiu o Rubro-Negro há dois meses, se acha que faz algum sentido sair em férias em meio à tempestade atravessada pelo clube por causa da tragédia no Ninho do Urubu.

Pois ele dirá que sim, tanto que saiu, nem aí para como a deserção é vista pela opinião pública.

Neymar e Landim são adeptos do deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS), aquele que dez anos atrás declarou estar se lixando para a opinião pública.

A rara leitora e o raro leitor se lembram dele?

Pois é, conseguiu se reeleger na eleição seguinte e embora tenha sido derrotado ao concorrer à prefeitura de sua cidade, Santa Cruz, e desistido de voltar à Câmara Federal no ano passado, viu o filho substituí-lo no Congresso Nacional.

Como deve ganhar adeptos entre os “boçalnaristas” o deputado Eduardo Bolsonaro que, além de desconhecer a lei que permite a prisioneiros comparecer a velórios de parentes próximos, desconhece os princípios mínimos do humanismo, elo desgarrado e perdido entre os macacos e os homens.

Será o Carnaval responsável por tantos desatinos em tão poucos dias?

Gostaria de acreditar que sim e como acabou nosso carnaval que amanhã tudo volte ao normal.

Gostaria, mas é preciso ter muita fé para acreditar.

Porque Neymar seguirá sendo Neymar, brilhando aqui e ali pelos gramados e pelas passarelas do mundo até o dia em que, podre de rico, bater a saudade por não ter sido o que poderia ser.

Será, no entanto, tarde demais.

Mais imediatamente, Landim seguirá gozando seus dias de lazer, ausente até da vitoriosa estreia de seu time pela Libertadores na infernal altitude de Oruro, na Bolívia, o que provavelmente não faria fosse o jogo em Paris. Porque, como se sabe, ninguém é de ferro.

E nós, da tal desprezada opinião pública, ou publicada, continuaremos perplexos diante de tamanha falta de noção, convivendo entre laranjas e milícias, mandando mais um presidente recém-eleito tomar onde não deveria, porque a gente vai levando essa chama.

Deus lhe pague.

SEM NOÇÃO AO CUBO

Estava pronta a coluna quando pipocou a tuitada do presidente da República que, no escurinho do Palácio da Alvorada, se ocupou do que não deveria e distribuiu a cena escatológica de um sem noção fazendo xixi em outro.

Daí veio o terceiro e fez cocô na cabeça de mais de 200 milhões de brasileiros.

Alguém sabe informar aonde é que nós vamos parar?

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