Corinthians passa vexame na Justiça e perde ação para ex-gestora de Teatro do clube, que recusou-se a participar de “atos ilícitos”

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“(…) o motivo real de minha saída, foi não querer participar de nada ilícito, que denegrisse minha imagem pessoal e  profissional.” – CRISTIANE NATALE

Em abril de 2013, a então gestora do teatro localizado no Parque São Jorge, sede do Corinthians, ingressou com Ação Judicial contra o clube, acusando seus dirigentes de má-fé no rompimento do contrato, além de apropriação indébita de equipamentos de sua produtora.

Gestora de Teatro do Parque São Jorge acusa Corinthians de má-fé e de “reter” equipamentos de sua produtora

No último dia 06 de maio, após depoimentos vexatórios de uma funcionária do Timão e do Diretor Cultural, o desempregado Flavio Ferrari Junior, que o juíz, educadamente, tratou como “pouco críveis”, saiu a sentença.

O Corinthians, além do vexame de perder a ação levando “pito judicial”,  foi condenado a indenizar a Sra. Cristiane Natale em R$ 34.462,66, pelo dano financeiro ocasionado, corrigido monetariamente pela Tabela Pratica do Tribunal de Justiça desde a data da propositura da ação, mais juros de mora de 1% (um por cento) ao mês desde a citação.

Em conversa com o Blog do Paulinho, a Sra. Natale desabafou:

 (…) limpar meu nome diante das acusações que me foram imputadas, já me causa um profundo  bem estar.

Desde que entrei no Clube, diante da confiança de dona Marlene Matheus, que acreditou que seria importante para o Clube ter um espaço cultural ativo, sempre fui honesta e trabalhei duro, para levantar um espaço que não existia.
 
Sempre mantive minhas contas em dia com o departamento financeiro.  Mas fui acusada de não efetuar os pagamentos, de arrombar o teatro na calada da noite, para retirar o que me pertencia.
 
Alguém deveria hoje solicitar a prestação de contas ao novo administrador. Estaria ele depositando na conta do Clube, como eu fazia?
 
Acho difícil, pois o motivo real de minha saída, foi não querer participar de nada ilícito, que denegrisse minha imagem pessoal e  profissional.

Não é a primeira denúncia de atos desabonadores que atinge dirigentes da atual gestão alvinegra, entre eles o Sr. Flavio Ferrari Junior, vulgo “Ferrarinho”, que tem lucrado em diversas frentes no Parque São Jorge, seja em cobranças de estacionamento no “Fielzão” – sem a devida prestação de contas – até na comercialização de partidas da equipe de masters, em que o dinheiro do “cachê” vem sendo depositado na conta da empresa do ex-jogador Basílio.

CONFIRA ABAIXO TRECHOS SELECIONADOS DA SENTENÇA, OBRIGANDO O CORINTHIANS, POR ATOS INDEVIDOS DE SEUS DIRETORES, A INDENIZAR A EX-GESTORA DO TEATRO ALVINEGRO:

Flavio Ferrari Junior (esq.), Duilio do BIngo (dir)

CRISTIANE NATALE, qualificada nos autos, ajuizou ação declaratória de rescisão contratual c/c indenização por danos materiais e morais contra SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA alegando, em síntese, que, em 26 de janeiro de 2008, as partes celebraram um Contrato de Cessão Administrativa de Espaço, pelo prazo de 24 meses, sendo que o espaço destinado ao Teatro seria adequado para garantir estrutura mínima ao local.

Após, passou a administrar o teatro e as programações, com repasse das bilheterias, na forma acorda.

O Contrato foi prorrogado por prazo indeterminado.

Contudo, em 21/12/2012, paralisou as atividades no período das festas de final de ano.

Em 08/01/2013, ao retornar, verificou que as fechaduras haviam sido trocadas, recebendo a informação do Departamento Jurídico de que o contrato havia sido rescindido de pleno direito.

Por isso, registrou um Boletim de Ocorrência.

Somente em 17/01/2013, recebeu uma carta dando ciência sobre o desinteresse na renovação do Contrato.

Assim, o procedimento adotado para rescindir o contrato foi totalmente ilegal.

Ademais, embora notificado, o requerido não devolveu os bens da requerente.

Além do procedimento adotado, o requerente está fazendo uso indevido da linha telefônica de propriedade da requerente.

Por entender que o requerido é responsável pela reparação dos danos, ajuizou a presente ação.

Pediu a citação e, ao final, a procedência da ação com a declaração de rescisão do contrato e a condenação do requerido no pagamento de danos matérias, no valor de R$ 44.879,94, bem como lucros cessantes e dano moral.

A inicial veio instruída com documentos.

Foi concedida a antecipação da tutela para arrecadação dos bens.

Os bens foram arrecadados, conforme auto de fls. 60/61.

Causou estranheza a este Juízo o fato da notificação visando a rescisão do contrato ter sido encaminhada somente após o registro da Ocorrência perante a Autoridade Policial.

A testemunha Fabiana Palma Leite, funcionária do Clube, disse em seu depoimento que a requerente não prestava um bom serviço e que só havia prestado contas uma única vez.

Vê-se que o requerido tinha motivos mais do que suficientes para promover a rescisão do contrato e nada fez a não ser após o Registro de Ocorrência perante a Autoridade Policial.

A testemunhas dos Clube foram unanimes em afirmar que o arrombamento das portas e a substituição das fechaduras ocorreu porque constataram que a luzes e o ar condicionado do Teatro estava ligados e não conseguiram contato com a requerente.

O Senhor Flavio Ferrari Junior, Diretor do Departamento Cultural, afirmou que somente a requerente possuía as chaves do Teatro e não sabia se outras pessoas do Clube a possuíam.

No entanto, não é crível que o Departamento Cultural de um Clube da dimensão do requerido não tivesse as chaves do Teatro.

Quando muito poderiam não dispor das chaves da sala da requerente, mas nunca as que abriam as portas de acesso ao Teatro.

As chaves reserva são necessárias como medidas de segurança que uma sala de espetáculo deve ter.

No mínimo o Departamento Cultural e o Departamento de Segurança deveriam ter cópias das chaves para acesso ao Teatro.

Como se vê, não resta a menor dúvida que as medidas adotadas pelo Clube foram feitas com o objeto de prejudicar a requerente.

Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE a ação declaratória de rescisão contratual c/c indenização por danos materiais e morais ajuizada por CRISTIANE NATALE contra SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA para declarar rescindido o contrato celebrado entre as partes e condenar o requerido a pagar para a requerente a importância de R$ 34.462,66, corrigida monetariamente pela Tabela Pratica do Tribunal de Justiça desde a data da propositura da ação.

Juros de mora de 1% (um por cento) ao mês desde a citação.

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