Atrás das grades, Bolsonaro ensina Flávio a se espelhar nele

Da FOLHA
Por ALVARO COSTA E SILVA
- Sem generais à disposição, filho 01 pode escolher um vice capitão da PM
- Derrite virou um trunfo ideológico mais importante que Tarcísio
Desde a mudança para a Papudinha, a saúde de Bolsonaro deve ter melhorado, o acompanhamento médico é constante. A vitimização diminuiu. Até porque a unidade da PM em Brasília se transformou numa espécie de comitê político, com o entra-e-sai dos filhos, da ex-primeira-dama, de advogados, dirigentes partidários e aliados mais próximos.
Da cadeia, Bolsonaro dá as ordens e bola as estratégias que vão sustentando –mais que isso, consolidando– a candidatura de Flávio à Presidência. “Faça tudo o que eu fiz, me tenha como espelho”, é a lição resumida ao filho 01.
O convite para que Tarcísio de Freitas colabore no programa presidencial é uma maneira matreira de sepultar de vez as pretensões do governador de São Paulo ao Palácio do Planalto. De nome preferido da direita limpinha, do centrão fisiológico e do mercado financeiro, Tarcísio, se aceitar, passaria a aspone de luxo.
Na semana que vem está prevista uma conversa atrás das grades entre o ex-presidente e Guilherme Derrite. Com seu histórico na Rota – investigado em operações que resultaram em 16 homicídios –, o deputado virou o coringa do bolsonarismo. Uma peça mais importante que Tarcísio.
Ao relatar o PL Anfifacção na Câmara, Derrite não conseguiu esconder que agia movido por interesses eleitoreiros e ideológicos. Em cinco versões do projeto, não fez outra coisa que tentar diminuir a importância da Polícia Federal em favor das polícias militares estaduais, promovendo uma desunião que só interessa ao crime organizado. Conexões entre criminosos, quartéis de PMs e partidos políticos –a toda hora reveladas pela PF e pelas corregedorias– são a realidade do Brasil. O ex-secretário de Segurança de São Paulo as ignorou na cara de pau.
Sua candidatura ao Senado é parte do plano para obter maioria de cadeiras e abrir caminho para o impeachment de ministros do STF. Derrite também passou a ser cogitado como vice na chapa de Flávio, representando a abstração de que, se vestiu farda, está apto a resolver os problemas do país.
