Flávio Bolsonaro e Vini Jr.

Por ROQUE CITADINI

A nota do senador Flávio Bolsonaro defendendo Vini Jr. dos ataques racistas tem um sentido: é um passo à frente para normalizar a extrema direita, retirando os pontos mais sensíveis de suas campanhas das últimas décadas.

Seguirão outras notas de reposicionamento, como manifestações mais favoráveis sobre gays, lésbicas e outras minorias.

Procurarão até atenuar as críticas à Lei Rouanet e teremos declarações afastando-se dos militares e da ditadura de 64.

Essa repaginação não é novidade na direita mundial.

Meloni, na Itália, depois de namorar o fascismo por anos, buscou progressivamente se afastar.

O antissemitismo, que era uma forte bandeira da extrema direita, também foi abandonado, assim como foram igualmente esquecidos seus laços com o nazismo.

Este é um caminho comum para romper o isolamento, criado por anos de discurso de ódio e discriminação.

Em alguns lugares deu certo, como na Itália.

Mas há um problema para a direita com esses reposicionamentos, e temos visto isso na Europa.

Aparecem outros grupos radicais que não abandonaram suas bandeiras, e surgem conflitos com os novos moderados.

Itália, Espanha, Portugal e França vivem esse clima: novos grupos ainda mais radicais retomam as bandeiras abandonadas.

No Brasil, o senador Flávio terá problemas se mudar seu discurso de críticas aos programas de apoio aos mais pobres (como o Bolsa Família), que sempre sofreram ataques da nova direita.

É uma operação arriscada e cheia de obstáculos, mas é o único caminho para tentar sair das bolhas.


(Publicado, originalmente, nas redes sociais de Citadini)

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