A “chama” de Marcelo Teixeira

Marcelo Teixeira, presidente do Santos, publicou artigo na Folha para celebrar os 109 anos da Vila Belmiro.

Entre obviedades e autoelogios, destacamos:

“O Santos está próximo de colocar em prática um projeto que vai levar a Vila Belmiro ao futuro e colocará o estádio entre os mais modernos do mundo.”

“A nova Vila Belmiro será um marco para o futebol brasileiro e para a cidade de Santos. Um investimento cuidadosamente planejado em todos os seus detalhes para não endividar ou comprometer as finanças do clube.”

“Assim como o clube, a nossa casa passa por um processo de recuperação. Reconstruir exige tempo. O Santos já passou por diversas fases, e todas as vezes que disseram que era o fim foram começos de novos capítulos. Não estamos apagando um grande incêndio, mas reacendendo a chama.”

O texto é a comprovação do atraso intelectual somado à enorme capacidade de distorcer a realidade.

Não há futuro para um estádio que representa o passado — ainda que glorioso —, mal localizado e com capacidade muito aquém do público que o Santos desperta.

A remodelação da Vila Belmiro atende apenas aos interesses da construtora — e de quem mais com ela estiver lucrando.

Afirmar que o templo santista estará “entre os mais modernos do mundo” é, no mínimo, uma distorção.

Somente o gramado do estádio de Itaquera — e seu sistema de irrigação e aquecimento —, para citar o exemplo mais moderno do país, custou mais caro do que toda a reforma projetada para a Vila.

Sem falar nos banheiros de mármore, revestimentos e estrutura tecnológica incomparáveis.

Há, mundo afora, estádios infinitamente mais avançados do que a “modernidade” prometida em Santos.

E, ainda que o projeto fosse de fato inovador, seria um desperdício evidente diante da oportunidade de erguer uma nova arena em São Paulo — metrópole mundial e lar do maior contingente de torcedores do Santos no planeta.

Teixeira encerra com a frase: “Não estamos apagando um grande incêndio, mas reacendendo a chama.”

A realidade, no entanto, mostra uma gestão presa aos anos 1980 — baseada em compadrio, ineficiência e resultados esportivos pífios — traduzida, mais uma vez, na luta do Santos para não ser rebaixado no Campeonato Brasileiro.


Em tempo: Teixeira encaixou o nome de Robinho numa das partes do texto, desrespeito às mulheres santistas que deveria ser evitado

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