Parceiro de ex-presidente do Corinthians é condenado à prisão

Em 23 de agosto de 2022, Ricardo Ono Hayama, parceiro de Duílio “do Bingo”, foi condenado a cinco anos e dez meses de prisão, em regime fechado, por sonegar valores oriundos de sua condição de sócio oculto do Bingo Circus (razão social Feedback), pertencente à “famíglia” Monteiro Alves.

Ao menos três membros do clã possuem ligação direta com o Corinthians: Duílio, Adilson e Adriano.

A pena foi reformada pelo TRF-3 em 4 de maio de 2025, reduzida para quatro anos e dois meses, em regime semiaberto.

As conexões, antigas e recentes, entre Hayama e Duílio aparecem em diversos trechos do processo.

A defesa do sonegador está a cargo de Yule Bisseto, integrante da chapa “Preto no Branco”, controlada pela família Monteiro Alves.

É pouco provável que seja obra do acaso.

Partes da ação sugerem não apenas a enorme proximidade entre Hayama e Duílio, mas também a possibilidade de o condenado atuar como preposto do dirigente em determinados negócios:

“Foram detectadas movimentações bancárias suspeitas na conta de Fumiê Nagase Hayama, idosa de 91 anos, na ordem de R$ 15.239.000,00, no período de fevereiro de 2001 a 2005”

“Tais valores teriam sido movimentados pelo neto de Fumiê, o ora denunciado, R. O. H..”

“Também foram constatadas movimentações suspeitas na conta de Duilio Noccioli Monteiro Alves, sócio da empresa Feedback Promoções e Consultoria Ltda., que exercia atividades ilícitas de jogos de azar”

“Considerando o liame entre RICARDO e Duilio, que adquiriram juntos um imóvel na cidade de Ubatuba/SP, havia fortes suspeitas, segundo o MPF, de que os valores movimentados por RICARDO também teriam origem na exploração de bingo”

“Vale dizer que a conduta de RICARDO foi atrelada à exploração de bingo, pois possuía laços com DUILIO NOCCIOLI MONTEIRO, sócio da empresa FEEDBACK PROMOÇÕES E CONSULTORIA LTDA, proprietária do BINGO CIRCUS”

“De fato, após análise do IPL n° 2-0665/09 (fls. 576/631), verificou-se que RICARDO estava diretamente ligado a DUILIO, pois estaria envolvido na fabricação ilegal de máquinas caça-níqueis”

Corrigidos, os valores circulantes na conta de Hayama — que a Justiça aponta como provenientes do Bingo da família Monteiro Alves — alcançariam R$ 54,2 milhões.

O fato de o ex-presidente do Corinthians ter adquirido imóvel em conjunto com o condenado, salvo relação íntima desconhecida, sugere que Hayama possa ter atuado como operador financeiro do clã.

Justifica-se, portanto, que em 2025 a defesa do réu esteja a cargo de uma advogada ligada a Duílio, o que reforça a hipótese de que a prestação de serviços — possivelmente financeiros — tenha se estendido ao longo dos anos.


Offshores no Panamá

Duílio “do Bingo” e Ricardo Hayama constituíram offshores no Panamá, no mesmo período em que o dirigente ocupava cargos de destaque no Corinthians.

A dos Monteiro Alves era a VDK2 Panama S.A., exposta pelo Blog do Paulinho em novembro de 2020.


Relembre:

Candidato a presidente do Corinthians tem conta em paraíso fiscal do Panamá –


Hayama, por sua vez, comandava a Multibin Corp, revelada nas investigações conhecidas como Panamá Papers.

Ele também figurava como procurador da World Business Participações Ltda., ligada à offshore World Business Consultants Inc., suspeita de lavar dinheiro do esquema de Roman Maria Pinto, em Santo André.

Atualmente, Hayama aparece como sócio da H&R Car Soluções, aberta em 2022, com capital social de apenas R$ 10 mil.

A empresa tem como objeto social a intermediação de negócios e como sócia formal Hully Dayse Dantas de Lima, suposta dona da Nick Fun Diversões, responsável por máquinas de pelúcia em shoppings centers.

Fontes afirmam, sob anonimato, que Duílio “do Bingo” seria um dos investidores dessa operação.


Prisão

O TRF-3 declinou a execução da sentença para a Justiça Estadual de São Paulo.

O processo já tramita no TJ-SP.

Em breve, Ricardo Hayama deverá ser preso.

O MP-SP, que investiga nebulosidades de Duílio ‘do Bingo’ enquanto cartola do Corinthians – amigo do marginal condenado, tem agora novas possibilidades de apurações, incluindo, também, a empresa Providence, dos EUA, local em que o dinheiro da contratação de Alexandre Pato circulou.

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