As ‘mãos limpas’ que circulam o presidente do Corinthians

Em entrevista, ao ser questionado sobre a manutenção, na diretoria do Corinthians, de dirigentes e funcionários da gestão Augusto Melo — acusada de formação de quadrilha em inquérito policial —, o presidente interino Osmar Stabile respondeu:
“Eu sei quem tem mãos limpas e quem não tem. Quem tem mãos limpas vai vir comigo. Quem não tem, esquece.”
O histórico de Osmar, porém, desmente a afirmação.
Ao manter Marco Polo Lopes Pinheiro na direção de esportes terrestres, o mandatário premiou o representante de um grupo — ligado ao futebol associativo — reconhecido no Parque São Jorge como uma espécie de “mercadão” de votos.
Quem der mais, leva.
Entre outras espertezas denunciadas ao longo da gestão anterior.
Osmar também não pensou em “mãos limpas” ao empossar Antonio Goulart na diretoria de Relações Institucionais, tamanha a “capivara” política — e as suspeitas criminais — que o cercam.
Neste caso, os interesses eleitorais ligados ao padrinho Paulo Garcia sobrepuseram-se aos do clube.
Há ainda ligações mantidas, por ora, sob a mesa — que, em algum momento, precisarão ser acolhidas.
Entre elas, o investigado Marcelo Mariano; o bacharel Haroldo Dantas — que negocia com a UJ, apontada como braço do PCC; o desfrutável Eduardo Lopes; o marginal Roberto William Miguel, entre outros.
Em vez de afirmar que sabe quem tem “mãos limpas” — e que esses estarão ao seu lado —, melhor seria dizer a verdade: o cartola não teve coragem, ao menos até agora (ainda que por questões eleitorais), de romper com o sistema de “toma-lá-dá-cá” que transformou o gigante Corinthians, há tempos, num condomínio de quinta, administrado pelos mesmos interesses de sempre.
É disso que o Corinthians precisa se livrar.
