Corinthians autorizou procedimentos para transformar o clube em SAF (com documento)

O Blog do Paulinho teve acesso à versão assinada do contrato firmado entre Corinthians e Alvarez & Marsal, que vem sendo motivo de discórdia entre a gestão Augusto Melo e o grupo ‘União dos Vitalícios’, ao qual pertence o presidente do Conselho Deliberativo.
Os conselheiros alegam que a empresa iniciou procedimentos para inserir o alvinegro em Recuperação Judicial com objetivo final de transformá-lo em SAF (Sociedade Anônima do Futebol).
A diretoria nega.
Ontem, publicamos áudio de sócio do cartola Raul Corrêa da Silva, ligado a Fred Luz (executivo da A&M) e ao diretor de finanças Pedro Silveira, afirmando que, de fato, a gestão trabalha pela SAF.
Na verificação documental, encontramos na Letra B (serviços de diagnóstico), Parágrafo VIII, da Clausula 1ª, sob o título ‘Objeto’, a contratação do seguinte serviço:
“Análise das opções para reestruturação operacional e financeira (ex. negociação bilateral, alongamento e troca de dívida, parceria estratégica, Recuperação Judicial – RJ, RCE, SAF, M&A, etc.)”
É possível notar que o termo ‘Recuperação Judicial’ é associado, por hífen, à criação da SAF.
Os demais itens estão separados por vírgulas.
Não se trata de demonizar a possibilidade de transformação do Corinthians em SAF (este blog não é contrário), mas de esclarecer a realidade contratada, divergente do discurso do presidente Augusto Melo que assinou o acordo ao lado de Vinicius Cascone – inserido como ‘testemunha’, embora ocupasse, no período, a Secretaria Geral.

Outro detalhe interessante no documento é a quantidade de vezes em que Fred Luz é citado, como se o contratado fosse apenas ele, e o CNPJ da A&M utilizado para driblar o Estatuto do Corinthians, que não permite a contratação de um CEO – que é como o profissional se apresenta em Parque São Jorge.
A única maneira do clube não pagar multa pela rescisão está diretamente associada ao executivo:
“1.2.1. O consultor designado para a prestação dos Serviços será Frederico Derzie Luz. No caso de impossibilidade e/ou impedimento de atendimento do consultor designado, por qualquer razão, o CLIENTE poderá, a seu exclusivo critério e sem qualquer ônus, optar por rescindir o Contrato mediante simples comunicação escrita nesse sentido à A&M”
Em qualquer outra situação, o distrato acarretaria em penalização de R$ 900 mil.
Para trabalhar no Corinthians, Fred Luz, através da A&M, cobrou R$ 500 mil (como se fossem luvas), divididos em duas parcelas de R$ 250 mil, além de R$ 300 mil mensais e bônus por metas atingidas.
A clausula 7.2 garante que a empresa não será responsabilizada se, eventualmente, gerar prejuízos ao clube:
“(…) em nenhuma circunstância, a A&M, seus sócios, pessoas pertencentes ao seu grupo corporativo e econômico, profissionais, empregados, colaboradores ou qualquer subcontratado será responsáveis por lucros cessantes, danos indiretos, perda de oportunidade, danos morais ou danos à imagem do CLIENTE ou quaisquer outros terceiros”
Clique no link a seguir para acessar a íntegra do contrato (versão assinada com aditivo) firmado entre Corinthians, Fred Luz e Alvares & Marsal:
Corinthians e ALVAREZ & MARSAL
