Sócio de diretor diz que Corinthians não tem compliance, diretoria trabalha por SAF e conselheiros são ‘focas’

“(…) nós temos uma gestão de clube de bairro, não é de clube profissional”
(Max Anselmo de Carvalho)
Ex-conselheiro alvinegro (sua chapa, a 83, foi derrotada nas recentes eleições) Max Anselmo de Carvalho, sócio do diretor cultural Raul Corrêa da Silva, ex-diretor de finanças do Corinthians, revelou, em áudios recentes (pouco antes da partida contra o Palmeiras), detalhes da administração Augusto Melo.
Selecionamos trechos que desmentem, frontalmente, o discurso do presidente.
Augusto diz que os contratos do clube passam pelo crivo do compliance e que é contra a transformação do alvinegro em SAF.
Na informalidade, Max entregou as verdades.

Ausência de compliance:
“O Corinthians não tem compliance, cara… não tem compliance… toda vez que a gente tenta implantar o compliance não vai, cara… não vai… não tem como não ir…”
“Cara… não tem processos internos de compra, de venda, de nada… e assim… existe a boa vontade de alguns para colocar”
“Eu não estou no Conselho mais, eu não tenho como mais estar defendendo esta pauta ai… mas eu vi muito cara tentar colocar o compliance… até eu mesmo tentei… puta, você vai e aí bate nos donos do clube”
“E os donos do clube são complicados… nos somos priores do que a gestão, com todo o respeito aí… a clubes pequenininhos… Clube da Penha… é clube de bairro cara… nós temos uma gestão de clube de bairro, não é de clube profissional”

Movimentação da diretoria para transformar o Corinthians em SAF:
“Eu acredito na SAF, a SAF seria o melhor caminho… mas quem que vai… como nós vamos fazer essa SAF se, internamente, o Conselho nunca vai aprovar algo assim”
“E olha que os caras estão tentando, hein cara?”
“É o que eu posso falar, viu”

Conselheiros ‘focas’:
“Eles (no Rio de Janeiro) usam um termo lá para ‘vitalícios’, que é diferente do que a gente utiliza.. e os caras não querem saber do crescimento do clube… eles querem… tem medo de perder o poder… perder o ingresso, de estar no estádio, ver os jogos”
“No Corinthians é a mesma coisa, cara”
“Por que o cara quer ser conselheiro do Corinthians, se ele não faz porra nenhuma?”
“Porque é assim… dos 300 conselheiros… dos 100 vitalícios e 200 conselheiros… cara, você vai ter de dez a quinze, vinte conselheiros que tem uma formação, que vai lá subir no pupilo (sic), que vai pegar o microfone e vai apresentar uma coisa decente”
“O resto é tudo ‘foca’, vai ficar batendo palma”
“E é o que acontece no Corinthians…”
“Esses 170 conselheiros, que são ‘focas’, o que eles querem? Eles querem estar nos ingressos, eles querem estar nos camarotes”

Diante da proximidade, pessoal e empresarial, de Max Anselmo, tanto com Raul Corrêa da Silva (com quem, além da BDO, tentou gerir o Vitória/BA) quanto com Augusto Melo, é pouco provável que as verdades reveladas não tenha origem em inconfidências dos parceiros.

