Datena vs. Marçal

Por CILENE VICTOR
Para alguns candidatos, não apenas no Brasil, a agressão física que sofrem ou podem sofrer parece ter virado tática política.
O candidato e seus assessores podem deduzir o que as pessoas vão comentar: “Ele é tão bom e tão temido pelos adversários que tem sido ameaçado”.
Sou veementemente contra qualquer tipo de violência e por isso não vou usar o “mas”, apenas as evidências de um confronto planejado milimetricamente, ainda que jamais tenham imaginado uma cadeirada como resposta.
Ninguém freou Pablo Marçal, que seguiu guiando o tom dos debates, desrespeitando a democracia, os eleitores e o pouco que alcançamos de civilidade neste que é um dos países mais violentos do mundo.
Ultrapassamos o fundo do poço e passamos a nos acostumar com o pior. Não parecemos exigir respeito e demonstramos certa adaptação à violência.
Leão Serva, visivelmente constrangido, assustado e abalado, disse, em outras palavras, que aquela foi a cena mais horrenda já registrada na TV brasileira. Ela não foi horrenda apenas para a história da TV. Essa cena soa para todos nós como uma ameaça à paz, na sua base cotidiana, uma ameaça real à nossa saúde mental, aos nossos valores morais e éticos.
A cadeirada do Datena é a tradução mais brutal da incapacidade que temos de controlar os sentimentos mais primitivos que sujeitos como Marçal provocam.
E aqui está o grande perigo da tática do vale-tudo. Não há debate, não há propostas concretas, elas pouco parecem importar para esse tipo de candidato e seus eleitores. Para nós, daqui a pouco, o que mais vai importar é saber se seguiremos como gente ou bicho, na acepção mais profunda do termo.
Que todas as pessoas civilizadas consigam com o voto banir esse e todos os candidatos que têm ameaçado a democracia, a paz e abalado o nosso bem-estar emocional.
Quem saiu ileso depois desse episódio?
*Texto postado no Facebook da jornalista CILENE VICTOR
