O maduro relato de Muralha

Ex-volante do Flamengo, Muralha tem rodado, há quase uma década, pelo futebol asiático, jogando, atualmente, no Dibba FC dos Emirados Árabes.

Aos 31 anos, o atleta concedeu revista a ‘O GLOBO’.

Demonstrou grande maturidade.

Destacamos trechos que deveriam servir de exemplo para jovens atletas brasileiros.


“A minha trajetória no Brasil poderia ter sido com mais destaque se eu tivesse mais profissionalismo no Flamengo. Saía no momento que não tinha que sair. Algumas coisas eu fiz de errado. Na época achava aquilo ali legal. Tinha gente que bebia e chegava bêbado pra treinar, eu achava aquilo maneiro. Agora, hoje vejo que é impossível chegar bêbado pra treinar. Não vai jogar no teu alto nível. Vai chegar no jogo e vai estar cansado, não vai chutar uma bola, não vai conseguir estar no nível que tem que estar. Eu saía, mas assim não. Mas poderia ter sido melhor. Alimentação, tudo isso”

“A minha trajetória no Brasil poderia ter sido com mais destaque se eu tivesse mais profissionalismo no Flamengo. Saía no momento que não tinha que sair. Algumas coisas eu fiz de errado. Na época achava aquilo ali legal. Tinha gente que bebia e chegava bêbado pra treinar, eu achava aquilo maneiro. Agora, hoje vejo que é impossível chegar bêbado pra treinar. Não vai jogar no teu alto nível. Vai chegar no jogo e vai estar cansado, não vai chutar uma bola, não vai conseguir estar no nível que tem que estar. Eu saía, mas assim não. Mas poderia ter sido melhor. Alimentação, tudo isso’

“Os caras de hoje tem que ter noção do que estão falando, do que pode gerar pra sociedade. Tem que explorar outras bolhas, outros mundos. Jogador de futebol tem uma cultura muito pobre, se fala muito pouco de tudo que rola. Tem que ter interesse do jogador nisso, por que são espelho pra muita gente. Ai volta no que falei. Tem que existir um profissional na base para trabalhar isso. Para depois que o cara crescer….Os caras que estão com a boca no microfone, da seleção, tem milhões de pessoas assistindo, que querem estar no mesmo lugar que eles”

“Tem o Danilo, da seleção, inteligente pra caramba. Mas são poucos. Tem que trabalhar a cabeça desde a base. Não é só “Graças a Deus, vamos ver o que o treinador tem pra falar’. Fica muito clichê. Seria bom se desenvolver melhor, até pra ganhar espaço em outros programas, outras pautas, pra falar além do esporte. Esse lance do letramento racial, por exemplo, que só hoje estou aprendendo melhor. Isso já tentamos introduzir no projeto. Já temos uma salinha de esforço, voltada pra educação, para progredir e ganhar espaço, pois estou sozinho, sem parcerias. Eu poderia estar ajudando muito mais pessoas.”

“Depois que eu fui pra fora me ajudou muito, usei a internet para coisas boas. A mentalidade do Kobe Bryant me ajudou. O que ele come, tipos de treinamento. Me ajudou a entender o que eu fazia de errado. Quando eu estava lá fora, você se distancia do Brasil, do mundo, perde aquelas amizades, que acha que são amigos e não são, quando tu não está bem todos somem. Quando fui lá pra fora fui pesquisar esses caras, tipo Cristiano Ronaldo. Ver o que poderia ter feito para ter destaque maior. Quando vi que não fazia, cria uma frustração, mas como estava novo consegui me reinventar, no jogo e na mentalidade, e isso me ajudou bastante. Tudo ficou mais fácil no campo, fiquei mais reflexivo, durmo mais cedo, como melhor, faço o que não fazia antes, trabalhos extras depois do treino, que antes eu não me preocupava. Consegui pensar melhor dentro de campo também.”


Com o dinheiro conquistado no futebol, Muralha construiu o projeto social ‘Muralhas do Futuro”, sediado no Morro do Andaraí, no Rio de Janeiro.

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