Alguns porquês e Tostão indignado

Da FOLHA
Por JUCA KFOURI
De tanto sabermos as respostas, e não as aplicarmos, acabamos afundados no atraso
Mestre Tostão tocou, em sua coluna dominical nesta Folha, em uma série de pontos essenciais, os quais, por estarmos acostumados a com eles conviver, foram naturalizados.
E não são naturais. Os de injustiça social, então, são absolutamente inaceitáveis.
A miséria só é natural para quem a produz e considera que para poucos terem muito é inevitável que muitos tenham pouco.
Já os nossos hábitos em torno do futebol são incomparavelmente menos danosos à sociedade, embora firam gravemente nossa paixão.
Além dos costumes a que nos acostumamos, convivemos com perplexidades e perguntas terríveis se não soubéssemos as respostas.
Por exemplo.
Por que se alguém tem horror ao fascismo é necessariamente comunista?
Por que se alguém repele veementemente o bolsonarismo é automaticamente lulista?
Por que se alguém denuncia o terrorista Bibi Netanyahu é acusado de antissemitismo e a favor do Hamas?
Por que se alguém lembra que o ucraniano Volodimir Zelenski é um tipo detestável logo é considerado a favor do autocrata Vladimir Putin?
Por que se alguém diz que o Corinthians está tomado há anos de assalto é visto como anti-corintiano?
Por que se alguém fala que o Palmeiras está jogando mal é rotulado de anti-palmeirense?
Por que se alguém constata que o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes é medíocre, e dissimulado, e o governador Tarcísio de Freitas é de extrema-direita, e dissimulado, a crítica é considerada radical?
Por que se alguém denuncia o ditador Nicolás Maduro por ter comprado o exército venezuelano para sobreviver é logo cancelado pelo esquerdismo que sofre de doença infantil?
E, finalmente, por que alguém não pode gostar dos Beatles e dos Rolling Stones?
As respostas, rara leitora e raro leitor, estão soprando ao vento, como canta Bob Dylan.
