Robinho, os advogados e a ilusão da soltura

Robinho, ainda na solitária em Tremembé, certamente até por isso, teria revelado a um dos agentes penitenciários a certeza de que, apesar de condenado a nove anos de prisão por estupro, será libertado nos próximos dias.

Conheço bem esta ilusão.

Todos os presos que iniciam cumprimento de pena, principalmente nas primeiras semanas – as de maior sofrimento físico – se apegam na esperança do habeas-corpus salvador.

Normalmente, induzido pelos advogados, que cobram fortunas para formulá-los, ainda que saibam da possibilidade quase nula de êxito.

Em 2015, quando de minha primeira passagem em Tremembé, todas as semanas o advogado que infelicitou a minha causa dizia que eu sairia ‘nas próximas horas’.

Não por dinheiro, mas por desconhecimento jurídico, embora há quem acredita noutras motivações.

Ao final, permaneci quatro meses e vinte dias dos cinco meses de condenação, quando deveria ter ficado apenas 25 dias (1/6 da pena).

Testemunhei outros que também foram enganados.

Entre os quais um ex-presidente da Câmera de Vereadores de São Paulo, que recebia, diariamente, promessas de “habeas-corpus’ garantidos.

Todos negados.

Após gastar uma fortuna, o sujeito caiu na real e passou a não receber mais os advogados que o procuravam.

É grande a chance de Robinho estar sendo vítima da ganância dos que lhe assistem juridicamente.

Melhor seria aceitar a realidade e focar nos dias difíceis que estão por vir.

Cabeça de preso precisa adaptar-se à realidade, distanciando-se, psicologicamente, da ‘rua’, sob risco de ampliar, em muito, o sofrimento do cárcere.

EM TEMPO: ainda que, apesar das chances quase nulas, Robinho conseguisse um HC, apenas protelaria o inevitável cumprimento de pena, com o agravante de, no retorno, precisar amargar novos dez dias em solitária.

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