Qual a diferença dos crimes de Píffero para os cometidos nos demais clubes?

A 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro de Porto Alegre condenou Vitório Píffero, ex-presidente do Internacional, a 10 anos e seis meses de prisão por estelionato e organização criminosa

Outro condenado foi o ex-vice de finanças Pedro Afatato, que pegará 19 anos e oito meses de prisão por estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A dupla roubou, segundo o MP-SP, mais de R$ 13 milhões dos caixas do clube.

Mas o desvio pode ter sido ainda maior.

Em setembro de 2017, o Blog do Paulinho revelou detalhes de auditoria realizada pela EY, que, resumidamente, trazia o seguinte quadro:

  • empresa com quatro endereços recebeu R$ 9 milhões sem comprovação de serviços prestados;
  • R$ 5,5 milhões foram adiantados sem justificativa;
  • Aplicação de R$ 18 milhões foi encontrada sem que se saiba a origem dos valores;
  • dezenas de notas fiscais, supostamente fajutas, foram trocadas por dinheiro sem comprovação de veracidade das operações;

A questão: qual a diferença do ocorrido na gestão de Píffero com o que se tem observado noutros grandes clubes do Brasil?

Elementar: a ausência de denúncia e consequente punição.

Para citar dois exemplos recentes: no Corinthians, Andres Sanches teve as contas reprovadas, assim como aconteceu com Marcelo Teixeira, no Santos.

Não houve sequer um Boletim de Ocorrência formalizado.

Em regra, os conselheiros de clubes, quando punem os parceiros, o fazem apenas no ambiente interno, evitando investigações mais profundas.

O objetivo é manter o esquema e tomar o lugar daqueles a quem derrubaram.

No Corinthians, dissidentes do grupo que teve as contas reprovadas – entre os quais o ex-diretor de finanças de três administrações – assumiram gestão.

No Santos, impune, Teixeira retornou à presidência.

Quem destes sobreviveria a uma apuração mais profunda?

Píffero e seu diretor de finanças não resistiram.

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