Dinheiro acima de tudo

Da FOLHA

Por ALVARO COSTA E SILVA

O caminho da mamata envolvendo Bolsonaro passa sempre por Mauro Cid

Enquanto se aprofunda a investigação dos episódios de cunho golpista em torno de Bolsonaro, com a prisão do hacker Walter Delgatti e a devassa em endereços da deputada Carla Zambelli, cresce a certeza de que —acima de Deus, da pátria, da família, da ideologia, da liberdade e até do leite condensado— o ex-presidente buscava enriquecer de qualquer maneira e o mais rapidamente possível, pois no fundo sabia que a sopa iria acabar.

Quer dizer, iria acabar em termos. O pixulé do Pix continua pingando. Já bateu em R$ 17,2 milhões, e a meta é chegar a R$ 22 milhões, doados para supostamente pagar multas na Justiça. “Ainda sobra dinheiro pra tomar um caldo de cana e comer um pastel com dona Michelle”, disse Bolsonaro, comemorando seu verdadeiro golpe de mestre, que deixa no chinelo o empresário de circo P. T. Barnum, autor da frase “Nasce um otário por minuto”.

O caminho da mamata passa necessariamente pelo tenente-coronel Mauro Cid, cujos celulares e emails sofrem de logorreia e não param de falar. Ao contrário dele próprio, até agora silente e obediente ao patrão. A última descoberta põe Cid —que já foi guardião de minutas golpistas, fabricante de cartões falsos de vacina, tutor financeiro da ex-primeira-dama e de seus familiares— na dupla função de muambeiro e camelô de relógio.

Mas não um relógio qualquer. Ele pediu US$ 60 mil por um Rolex de ouro branco todo cravejado de diamantes. Recebido por Bolsonaro em viagem oficial à Arábia Saudita em 2019, o presente foi liberado do acervo privado da Presidência no mesmo dia em que Cid tentou vendê-lo.

Cid está no centro de outra investigação da PF: a origem e o paradeiro de pedras preciosas que foram entregues ao ex-presidente durante um comício em Teófilo Otoni (MG) no ano passado —não há registro delas na relação de presentes. Michelle Bolsonaro também ganhou suas pedrinhas.

 

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