O Libbs e Ricardo Boechat

Da FOLHA

Por ELIO GASPARI

O juiz Dimitrios Zarvos Varellis, da 11ª Vara Cível de São Paulo, condenou o laboratório Libbs a indenizar em R$ 1,2 milhão os filhos do jornalista Ricardo Boechat, que morreu em 2019 num acidente de helicóptero. O Libbs ouviu calado.

Caso típico no qual o poderoso acha que pode tudo. O laboratório contratou Boechat para fazer uma palestra em Campinas, comprometendo-se a transportá-lo. O acerto foi de mão em mão e Boechat acabou embarcando num helicóptero com a licença vencida. Deu no que deu.

Numa situação desse tipo o cavalheirismo sugeria que o laboratório, uma potência com 2.700 funcionários, produzindo anualmente mais de 50 milhões de unidades de medicamentos, aceitasse sua responsabilidade na tragédia. Nem pensar.

Os herdeiros de Boechat, assistidos pelo advogado Antônio Pitombo, foram à Justiça. O Libbs tentou de tudo, dizendo até mesmo que só haviam contratado a ida de Boechat a Campinas. Como ele voltou a São Paulo no helicóptero, o problema não era da empresa. Falso.

Na sua sentença, o juiz Zarvos Varellis lembrou “a necessidade de punição ao agente como fator de desestímulo da repetição da conduta”.

Ainda passará muito tempo até que grandes empresários aprendam que não lhes fica bem terceirizar responsabilidades nem acreditar que indo à Justiça, amedrontam os ofendidos. Se o Libbs tiver aprendido, ótimo.

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