‘Força-Tarefa” tenta convencer Citadini a disputar as eleições do Corinthians

De maneira insólita, as eleições do Corinthians, a serem realizadas ao final de 2023, caminham para disputa sem candidato de oposição.
André Negão deverá se lançar pela situação.
Augusto Melo, com dissidentes e hábitos do mesmo grupo, entrou oficialmente na disputa.
Se diz opositor, mas a prática desmonta o discurso.
Há quem aposte que os Monteiro Alves, se não apoiarem Negão, poderiam lançar Adriano Monteiro Alves, irmão do presidente Duílio, de quem foi sócio, junto com o pai, de casa de Bingo.
Diante desse quadro pouco promissor, uma espécie de ‘força-tarefa’ de conselheiros e associados, que não se sente representada pelas composições expostas, batalha para convencer o ex-vice-presidente do clube, Roque Citadini, a se contrapor, novamente, contra o sistema.
Em 2022, o Conselheiro do TCE-SP teve participação relevante na política nacional ao figurar entre os criadores da ‘Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito’, de repercussão internacional, subscrita, posteriormente, por mais de um milhão de pessoas.
Citadini, porém, reluta.
Duas seriam as causas para a recusa.
A primeira delas diz respeito à dificuldade, quase impossibilidade, de se vencer eleições no Corinthians no atual sistema de votação, restrito a três mil e poucos associados, em que quase setecentos são funcionários ou possuem cargos no clube – o que garante a quem está na gestão larga vantagem inicial.
Além disso, boa parte do que sobra é adquirido numa espécie de ‘mercado’ de votos, em que o candidato que oferecer mais conquista o ‘compromisso’ de determinado feudo do clube.
Compra de almas, traduzida e escancarada – nem todas de corinthianos.
Outro fator que dificulta o convencimento a Citadini são as traições políticas, em que muitos dos que, atualmente, lhes juram fidelidade, foram os que esfaquearam-lhe as costas no passado.
2024 será decisivo para o futuro do Corinthians; definidor se o clube partirá para se tornar potência do futebol nas Américas; com sonhos globais, ou permanecerá na condição de acolhedor de intermediários de negócios e tábua de salvação da vida pessoal dos ‘donos’ de departamentos irrelevantes em Parque São Jorge.
Progredir ou aceitar insignificância.
Neste período, por conta da criação da Liga de Clubes, estima-se que, à vista, entraria quantia próxima dos R$ 500 milhões no caixa alvinegro, suficientes, por exemplo, para resolver a dívida do estádio.
Que perfil de dirigente o torcedor do Corinthians quer administrando este dinheiro e, consequentemente, o futebol do Timão?
Se Citadini recusar a candidatura – e não faltam justificativas para a decisão – na inexistência de outro nome compromissado com o rompimento do sistema, muitos dos que tentam convencê-lo terão que optar – para se manterem relevantes nos bastidores, entre o passado sombrio de André Negão ou o presente criminoso de Augusto Melo, condenado, recentemente, por sonegação fiscal, há dois anos de prisão.
