Corinthians é condenado por demitir funcionário que se recusou a votar em Duílio ‘do bingo’

A 6ª Vara do Trabalho de São Paulo condenou o Corinthians a indenizar o preparador físico Fabrício Pimenta após demiti-lo por ele ter se recusado a votar em Duílio ‘do Bingo’ – que venceu o pleito – nas últimas eleições do clube.
R$ 191,3 mil foi o valor estipulado pela juíza Sandra Regina de Castro:
“Ora, a natureza de um convite traz em seu bojo a possibilidade de recusa sem qualquer represália, sendo certo que a situação ora delineada é totalmente diversa”
“O reclamante foi sim coagido a apoiar determinado candidato e, não o fazendo, sofreu demissão”
Fabrício trabalhou quase doze anos em Parque São Jorge.
No processo, o profissional comprovou, com áudios de telefonemas e também whatsapp, a coação sofrida.
Seus algozes foram Roberto Andrade e Eduardo ‘Gaguinho’ Ferreira.
Na primeira ligação, ‘Gaguinho’ diz para Fabrício ‘não esquecer’ de votar; o preparador responde que não quer ‘se envolver com política’, mas Edu insiste: “o voto é secreto”, “ninguém saberá em quem votou”
No áudio seguinte, na data das eleições, ‘Gaguinho’ reitera que o preparador ‘tem que ir votar’, que “o Andres está pedindo’, dizendo ainda que Duilio, naquele instante, estava ao lado dele.
Por fim, logo após pleito, sabendo da possibilidade de demissão, Fabrício gravou reunião com Alessandro e Roberto Andrade, que lhe disse: “você será desligado do clube hoje”; “deve saber o porquê de tudo isso”; “não foi bem-visto (…) um funcionário ter postura contra o Duílio”.
Pimenta respondeu que não queria se meter em política e foi constrangido por ‘Gaguinho’ a votar em Duílio.
Alessandro, incrédulo, respondeu: “O Edu te ligou para você ir votar?”
O preparador confirmou e detalhou a insistência.
Roberto Andrade, então, afirmou que “o novo presidente tem o direito (de demití-lo)”
Todos os áudios, além das provas documentais, estão inseridos no processo trabalhista, do qual separamos os seguintes trechos:
“Para surpresa do reclamante, no dia da votação, membros da diretoria entraram em contato, principalmente o Sr. Eduardo Ferreira, o qual era superior hierárquico do reclamante, insistentemente, via celular, requerendo a presença do Reclamante no local da votação”
“Após o reclamante informar que não queria qualquer envolvimento na política do clube e que não tinha interesse na participação da votação, os membros da diretoria, principalmente o Sr. Eduardo Ferreira, coagiram e ameaçaram o eeclamante sob o fundamento de que este era um sócio votante e empregado do clube, razão pela qual o seu voto era obrigatório, caso contrário, ‘poderia ser demitido’, se a atual diretoria não permanecesse”
“[…] No dia do comunicado da sua demissão, o diretor Roberto de Andrade revelou o real motivo de sua dispensa, qual seja: NÃO VOTAR EM DUÍLIO MONTEIRO ALVES”
Trata-se de desvio ético, se não criminoso, impossível de ser aceito com naturalidade na vida política do Corinthians, com previsão estatutária, se denunciado, de eliminação do quadro de associados.
Nesse contexto, urge a expulsão de ‘Gaguinho’ do Conselho Deliberativo por participação, comprovada e sentenciada, na apontada falcatrua – com agravante de ter gerado prejuízo financeiro ao Corinthians, além da demissão de Roberto Andrade do departamento de futebol, por endossar a sacanagem e retirar do Timão um profissional qualificado por razões políticas.
Vale lembrar que Roberto ocupa o cargo apesar de indiciado, criminalmente, sob acusações de roubar a própria empresa, da qual foi expulso pelos demais sócios.
Cabe também investigação ao presidente Duílio, citado pelo cartola nos áudios, como suposto mandante do desligamento.

