A farra dos intermediários no futebol brasileiro

A opinião deste Blog do Paulinho é clara, desde sempre: os intermediários de jogadores somente existem, no contexto atual, para que cartolas de clubes possam embolsar dinheiro sujo sem os rastros diretos das transações.

Seria natural – até salutar – que os atletas menos instruídos mantivessem, às suas custas, gente para cuidar de detalhes contratuais.

Este é o ponto.

Não faz sentido algum que os agentes, funcionários dos jogadores, recebam dinheiro dos clubes em qualquer transação esportiva.

Com o advento do whatsapp, do ZOOM e de outras plataformas de comunicação, as agremiações sequer precisam deslocar-se de seus locais de origem para negociação e contratação de seus craques.

Nem mesmo o limite imposto pela FIFA, de, no máximo, 3% de comissionamento sobre os negócios é respeitado.

Por razões óbvias, os clubes pagam mais.

O excesso permite um rateio mais robusto entre os que, em tese, deveriam se abster de receber.

Nesse contexto, Alex Sabino, na FOLHA de hoje, revela que ’71 novas agremiações foram registradas nas federações estaduais nos primeiros seis meses de 2022 contra 47 no período correspondente em 2021′

66%. de aumento.

A maior parte delas, ‘barriga de aluguel’.

Noutro trecho, é demonstrado o aumento de cadastros de agentes na Casa Bandida:

‘Também houve uma explosão no registro de intermediários autorizados pela CBF. Em parte, pela demanda para fazer negociações de jogadores. O número evoluiu no primeiro semestre de cada ano: 49 (2019), 124 (2020), 148 (2021) e 209 (2022)’

A operação é clara.

Jovens valores são cooptados de clubes, inscritos nas agremiações ‘fakes’ e devolvidos, por empréstimo ou arranjo de comissionamentos, aos ex-donos.

Daí por diante, intermediários e cartolas terão em mãos uma carteira de rendimentos que durará por toda a carreira da ‘mercadoria’; desde percentuais por negociações, passando por fatias dos salários e também dos direitos de formação.

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