Trabalho no Corinthians enterra credibilidade de escritório de compliance

O escritório Gelson Ferrareze deve ter avaliado tratar-se de grande oportunidade iniciar um trabalho de compliance no Corinthians.
Por dinheiro, portfólio e repercussão midiática.
Sairá de Parque São Jorge com a credibilidade enterrada.
Difícil saber o que é pior: a fama de incompetência ou a de possível parceiro das traquinagens que cercam o Corinthians.
Desde o início, quando o Blog do Paulinho descobriu que um dos sócios da advocacia teve o diretor jurídico do Timão como seu prestador de serviço era possível supor que a falta de isenção, necessária nesse tipo de prestação de serviço, comprometeria o trabalho.
Foi até pior do que isso.
Fechar os olhos para a realidade de um clube gerido por uma família de notórios golpistas – alguns com movimentações financeiras em paraísos fiscais, com as categorias de base entregues a um contraventor que, escancaradamente, faz negócios no departamento e ainda paga propina para não ser admoestado por torcedores é quase atestado de conivência com a imoralidade.
Não se contrapor a contratos como os da TAUNSA, que é uma empresa absolutamente obscura gerida por ‘empresário’ condenado por duplo homicídio, além de caloteiro contumaz, ou às negociações multimilionárias com atletas beirando os 35 anos, sempre dos mesmos agentes, com pagamentos de comissões escandalosas, dá a impressão de que em vez de servir de conselheiro dos cartolas, os advogados poderiam estar se beneficiando da omissão.
Estariam?
Quanto o Corinthians paga para não ser ajudado como deveria?
No próximo dia 29, o CORI examinará as contas de 2021, que, apesar de contaminadas por reprovações de números em exercícios anteriores, foram avalizadas por Conselho Fiscal e Auditoria.
Terá o compliance aprovado também essas manobras?
O ex-advogado de um dos donos do escritório, que ocupa relevante cargo em Parque São Jorge, se estivesse em dezembro de 2020 já teria gritado nas redes sociais e no programa do Neto contra a aprovação; um mês depois, com o sonhado cargo debaixo do braço, exatamente como faz agora, se omitiria.

