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Monark, o cancelado, pode até perder seguidores, mas nunca a arrogância

Da FOLHA

Por MANUELA CANTUÁRIA

Não dá para se comover com homem branco de classe média alta que se diz vítima de caça às bruxas

Precisamos falar do drama do homem branco, hétero, cis, de classe média alta e cancelado. Que viu mensagens de ódio brotando mais do que chuchu na serra em sua inbox. Que perdeu contratos e ficou um pouco menos rico. Que precisou dar um tempo das redes sociais e encarar o abismo de existir no mundo real.

Um homem disposto a lutar por seus privilégios, e que não está sozinho nessa batalha. Conta com um time jurídico de peso, um intenso media training, um escritório inteiro de assessoria mobilizado para gerir sua crise de imagem. O resultado dessa força-tarefa é o canto do cisne do cancelado: o vídeo de retratação.

Apesar de todo o investimento em um pedido de desculpas, o roteiro pouco varia. O resultado, também. É como assistir a alguém tentando apagar um incêndio com galões de gasolina.

“Vocês entenderam errado.” O cancelado pode perder seguidores, mas jamais perderá sua arrogância. Espera que as pessoas o perdoem insinuando que elas são burras.

“Peço desculpas a quem tenha se sentido ofendido.” Como se o ato não fosse ofensivo em si e dependesse da recepção para se tornar condenável.

“Eu estava bêbado.” A lista de malefícios causados pelo excesso de bebidas alcoólicas acaba de ganhar um novo item: o risco de cancelamento. Sendo um transplante de fígado muito menos complexo do que a restauração da própria imagem.

E, por fim, a crítica à cultura do cancelamento, tecida por um relato emocionado de quem se tornou alvo de uma caça às bruxas. Entre tantos absurdos, essa comparação merece um lugar de destaque. A caça às bruxas foi um genocídio que massacrou centenas de milhares de mulheres, submetendo-as às torturas mais cruéis. E pelos motivos mais esdrúxulos, como se recusar a se casar ou ter filhos, manipular ervas medicinais, ou sofrer de algum transtorno psicológico.

O homem cancelado, que teve seus dados expostos na internet e seu CPF usado para se cadastrar como mesário voluntário nas eleições, tenta nos convencer de que está sendo punido como as bruxas do século 17. Cobra a empatia que nunca foi capaz de sentir. Sua narrativa que não comove, nem acrescenta, nos leva sempre à mesma conclusão: era melhor ter ficado calado.

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Um comentário sobre “Monark, o cancelado, pode até perder seguidores, mas nunca a arrogância

  1. Renato

    Pra nossa imprensa cretina identitaria um cara como o Monark, que tem claramente feições indígena, é um representante da “raca branca”!

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