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Brusque, Celsinho e a matemática do bolsonarismo

Em Brusque/SC, o resultado do segundo turno das eleições presidenciais revelou bem as preferências de uma população conhecida pela cultura preconceituosa, oriunda de distorções da colonização europeia.

Bolsonaro recebeu 86,8% dos votos contra apenas 13,20% de Fernando Haddad.

Anteontem (28), o jogador Celsinho, do Londrina, denunciou que foi tratado como ‘macaco’ e escutou de um cartola do Brusque – a equipe adversária, a seguinte frase:

“Vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha”

Não é a primeira vez que o atleta é atacado.

Corajosamente, Celsinho tem denunciado todas as manifestações.

Porém, se nas ocasiões anteriores os racistas foram punidos, neste episódio a diretoria do Brusque, de maneira lamentável, partiu em defesa dos criminosos.

Abaixo a Nota Oficial, atacando a vítima:

O atleta Celso Honorato Júnior, reserva do Londrina E.C., relatou à imprensa que teria sido chamado de “macaco” por membros da Diretoria do Brusque F.C., durante o jogo realizado ontem (28/08).

O Brusque F.C., sua torcida, diretoria, comissão técnica e patrocinadores sempre foram, ao longo da sua história, absolutamente respeitosos com relação a todos os princípios que regem as relações desportivas e humanas. Jamais permitiríamos qualquer atitude de conotação racista em nosso Clube, que condena veementemente qualquer pensamento ou prática nesse sentido.

O atleta, por sua vez, é conhecido por se envolver neste tipo de episódio. Esta é pelo menos a 3a vez, somente este ano, que alega ter sido alvo de racismo, caracterizando verdadeira “perseguição” ao mesmo. Importante esclarecer que, ao árbitro, o atleta não relatou ter sido chamado de “macaco”, mas sim que teriam dito “vai cortar esse cabelo de cachopa de abelha”, o que constou da súmula e revela a total contradição nos seus relatos.

O Brusque F.C. reitera que nenhum de seus diretores praticou qualquer ato de racismo e tomará todas as medidas cabíveis para a responsabilização do atleta pela falsa imputação de um crime. Racismo é algo grave e não pode ser tratado como um artificio esportivo, nem, tampouco, com oportunismo.

A matemática do bolsonarismo não falha.

Quando quase 90% de uma população não se incomoda com o comportamento preconceituoso de alguém, a ponto de torná-lo Presidente, é porque, em grande maioria, aprova as barbaridades cometidas.

Daí para normalizar práticas racistas, defender os ‘iguais’ e tratar as vítimas com desrespeito, a distância é bem pequena.

Celsinho, além de humilhado, foi ameaçado.

Triste retrato de uma realidade que precisa ser combatida, e sempre exposta, pela sociedade civilizada.

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