Verdades e distorções de um ressentido ex-presidente do Corinthians

Em entrevista ao Blog do Perrone, o delegado Mario Gobbi, ex-presidente do Corinthians, nitidamente magoado pela derrota nas recentes eleições alvinegras, disparou verdades e distorções da realidade.

Verdades
“O cara quer a política, o sócio quer as benesses, pensa nas coisas pequenas”
O ‘toma-lá-dá-cá’ rola solto no Corinthians, e não apenas em período eleitoral, mas Gobbi sempre soube disso e não reclamou quando eleito, no passado, beneficiado pelo mesmo sistema que ajudou a implementar.
“Por que eu vou perder meu tempo [votando tecnicamente no CORI] perdendo de 16 a 2?”
Ao justificar suas ausências nas reuniões do CORI, o delegado relata, com exatidão, o comportamento do órgão, esquecendo-se, porém, que as contas de sua gestão foram aprovadas sob os mesmos ‘critérios’.
“Deixam de recolher FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e de pagar impostos e apresentam superávit. Então, esse superávit não é real. Isso estoura lá na frente. É assim que eles administram o clube”
É a mais profunda realidade, porém, fruto de aprendizado da escola ‘Corrêa da Silva’ de sonegação fiscal, acolhida, desde sempre, por Mario Gobbi

Distorções:
“Tentei fazer uma gestão técnica, mas ninguém quer as finanças resolvidas”
No passado, a gestão de Gobbi foi marcada pela conquistas de título relevantes, porém sob a insustentabilidade do doping financeiro, que impacta, até os dias atuais, no cotidiano alvinegro.
Vale lembrar, o diretor financeiro era Raul Corrêa da Silva, indiciado por crimes fiscais, que responde a diversos processos de sua BDO/RCS sob acusações, inclusive, de fraudes, e foi acusado, pelo sucessor, em reunião do Conselho Deliberativo, de maquiar as contas do clube.
Outra marca evidente da administração Gobbi foi a da omissão, quando, sem coragem, terceirizou, informalmente, a gestão do estádio de Itaquera aos desejos de Andres Sanches, a quem tinha que pedir licença para entrar no camarote.
“Não fui criado para isso, não tenho berço para isso, não sirvo para isso. Então, o Corinthians segue”
Gobbi foi delegado de polícia no DETRAN, órgão, à época, investigado por corrupção, inclusive em CPIs da Assembleia Legislativa, e transitou entre a diretoria de futebol e a presidência do Timão num período conhecido por diversas denuncias de ilícitos, que vão desde embolsamentos, indevidos, de comissionamentos por dirigentes, passam por supostos pagamentos de propinas a cartolas para sobrepreço na construção do estádio até o indiciamento, formal, de quatro dirigentes por crimes fiscais cometidos no exercício de seus cargos, que permanecerão ativos até a quitação da última parcela de acordo.
“O sócio deve estar satisfeito. Com todo esse meu currículo, os sócios falaram o que pensam do Gobbi”
‘Todo esse meu currículo” de Gobbi se resume a trabalhos burocráticos de Delegacias de Polícia, como a árdua tarefa de assinar Boletins de Ocorrência, o que, por óbvio, não é suficiente para ser apontado como gestor qualificado para um clube de futebol do tamanho do Corinthians.
A favor dele, a bem da verdade, os que antecederam-no e, depois, lhe sucederam são bem piores.
Andres Sanches, antes de assumir a presidência do Timão sobrevivia de pequenos golpes e sequer terminou o curso primário; Roberto Andrade era vendedor de carros e foi expulso, recentemente, da empresa sob acusação de roubo; Duílio ‘do Bingo’ tem o nome inserido em rolos de jogatinas, responde a ações judiciais diversas, deve centenas de milhões de reais ao Fisco, está com bens e contas bloqueadas e possui, apesar disso, movimentação financeira, provavelmente não declarada, em paraísos fiscais.

sem contar que ele disse que era um fardo muito pesado pra carregar