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CBF e as ‘condutas inapropriadas’

Não poderia ser mais coerente a decisão da Comissão de Ética da CBF ao rebaixar os evidentes casos de assédio do presidente afastado Rogério Caboclo como simples ‘condutas inapropriadas’.

A punição, de 15 meses, atende aos interesses de Marco Polo Del Nero, que seguirá ‘alaranjando’ o cargo principal, ainda que o desafeto e ex-preposto consiga retomar o cargo e terminar uma gestão que já estará no limbo da transição.

Não faltariam razões para a turma da ‘ética’ da Casa Bandida, em provocada – porque, obviamente, não tomará iniciativa -, tratar como ‘condutas inapropriadas’, embora, como no caso exposto, sejam bem mais do que isso.

O ex-presidente, banido do futebol por corrupção, chefia, em ‘home-office’, a CBF.

Quem, formalmente, ocupa o cargo é um militar do nível desses que a CPI do COVID-19 escancarou, pouco se importando com poder, apenas com as benesses oriundas da confortável situação.

Os atuais diretores sabem disso e, semanalmente, sujeitam-se a cerimônias de ‘beija-mão’, regadas a álcool, mulheres e jogatinas, no famoso apartamento ‘dos prazeres’ de quem não pode sequer ultrapassar a tríplice fronteira sem que seja apresentado à Interpol.

A sala do Departamento de Registros, diversas vezes denunciada como criminosa, inclusive em CPI, segue, há tempos, com o mesmo gestor, tamanho é o rabo preso dos presidentes que se alternam e o benefício gerado a intermediários e cartolas nas dezenas, para não dizer centenas, de fraudes apontadas.

Não há independência esportiva no futebol e o treinador, embora negue, leva em conta pressões externas em suas convocações, a ponto de, após elas, permitir o livre acesso de quem, efetivamente, dá as cartas no departamento, como os agentes Kia Joorabchian e Neymar pai, frequentadores habituais das concentrações em que deveriam estar apenas os atletas.

Nem mesmo o TI da entidade escapou de ser apontado como uma espécie de ‘araponga’, responsável que seria por grampear presidentes de Federações, assim como, confessadamente, fez Del Nero com uma de suas assistidas, à época apresentada como namorada.

‘Condutas inapropriadas’ garantem, há décadas, o sistema mafioso da CBF, razão principal do futebol brasileiro, outrora melhor do mundo, ter sucumbido diante de insistentes sabotagens de seus cartolas.

Não existe solução dentro desse submundo alimentado pela corrupção, em que os dirigentes sobrevivem de embolsar o que não lhes é devido.

Muito menos, no julgo da ‘Comissão de Ética’ da Casa Bandida.

O caminho, a médio prazo, passa por uma estruturação a nível de Governo, nunca ocorrida no Brasil (todos os presidentes anteriores aderiram aos desejos de CBF e COB), que possa gerar punições mais graves a infratores e alternativas aos poucos que, verdadeiramente, trabalham por mudanças.

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