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Cartolas corinthianos são acusados de fraude em inventário

Duílio ‘do Bingo’ e Adilson Monteiro Alves

No dia 18 de junho de 2016, a senhora Maria Aparecida Ferreira Alves juntou-se ao falecido marido Orlando Monteiro Alves, histórico cartola do Corinthians, talvez sem imaginar que nem sua memória escaparia do rol de denúncias de golpes atribuídos a seus filhos e netos, atuais gestores do Timão.

Um mês depois, Adilson Monteiro Alves tornou-se inventariante da partilha de bens, que dividiria com os sobrinhos Fernanda Monteiro Alves e Marco Monteiro Alves, filhos de seu falecido irmão Airton.

50% para o cartola e os demais 50% divididos entres os demais.

A relação de bens é a seguinte:

  • prédio e respectivo terreno na rua Serra da Juréia nº 442, em São Paulo/SP;
  • quatro casas e respectivo terreno na rua Serra da Juréia nº 434, em São Paulo/SP;
  • prédio e respectivo terreno localizado à rua Zequinha de Abreu nº 71, em Praia Grande/SP;
  • prédio e respectivo terreno localizado no Lote nº 7, Quadra ‘J’ do balneário Adriano, em Praia Grande/SP;
  • prédio e respectivo terreno situado à Avenida Mazzaropi nº 114, em São Paulo/SP;
  • prédio e respectivo terreno situado à Avenida João Saad nºs 98,100 e 102, em São Paulo/SP;
  • terreno na rua Aroldo Piscina, antiga Rua 2, Lote 37, Quadra 2, em São Paulo/SP;
  • prédio e respectivo terreno localizado à rua José Saad nº 1, em São Paulo/SP;
  • terreno na rua José Saad, antiga Avenida B, lote nº 8, da quadra nº 2, em São Paulo/SP;
  • terreno na rua Avenida José Saad, Lote 9, Quadra 2, em São Paulo/SP;
  • terreno na rua Avenida José Saad, Lote 7, Quadra 2, em São Paulo/SP
  • casa e respectivo terreno localizado à rua Aroldo Picina nº 17, Lote 38, Quadra 2, em São Paulo/SP

O verbo ‘dividiria’, nessa conjugação temporal, se aplica porque o cartola, diretor alvinegro de ‘Responsabilidade Social’, que há décadas utiliza a fama dos tempos de ‘Democracia Corinthiana’ para iludir dezenas de vítimas, ao que parece, para escapar de seus inúmeros credores, abriu mão do patrimônio em nome dos filhos, entre os quais Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves e Adriano Monteiro Alves, respectivamente Presidente e Secretário Geral do clube de Parque São Jorge.

“Cessão de Direitos Hereditários’ é o nome jurídico da manobra.

Porém, a Sra. Adriana Mazuchi Nomoto, uma de suas credoras trabalhistas, atenta, denunciou tratar-se de fraude à execução.

De cara, Adilson, espertamente, não inseriu no processo a relação de dívidas dele e dos filhos, omitindo, também, a numeração dos respectivos CPFs.

Todos ex-patrões da credora, informação também omitida do judiciário.

Mas essa manobra, como verificaremos adiante, era ainda a menos abusada.

Adilson teria simulado outra dívida, juntando-a ao inventário, através de falsificação de documento, com a suposta conivência de um credor ‘fake’, Sr. Alfonso Del Negro Junior, em valores que compreenderiam mais do que todo o patrimônio a ser dividido.

O objetivo, ao que parece, seria evitar que a quantia fosse destinada aos verdadeiros credores.

Até mesmo os sobrinhos (também herdeiros), além da ex-funcionária, seriam prejudicados.

Mesmo alegando ter direito a receber escandalosos R$ 9,5 milhões, corrigidos de um suposto empréstimo concedido a Adilson Monteiro Alves, de R$ 3,1 milhões, o ‘credor’, passados sete anos, não tinha uma ação sequer de cobrança anterior na Justiça.

Nem mesmo extraoficial.

Na documentação juntada, havia um contrato de mutuo, denunciado por Adriana como forjado, com apenas a firma do cartola reconhecida, em condições, no mínimo, suspeitas (empréstimo ‘tomado’ em 2011 – quando Adilson já não tinha crédito em lugar algum; assinatura conferida em cartório apenas quatro anos depois, em 2015).

 

Além disso, o cartola anexou à ação outro documento, tratado como ‘confissão de dívida’, referente ao mesmo ‘negócio’, com assinatura de Del Negro divergente do outro acordo, também sem aval cartorário.

Pior: a rubrica de Adilson Monteiro Alves, supostamente inserida em 2012, também foi confirmada em cartório somente em 2015, coincidentemente no mesmo dia e mês do aval de 2011.

O ‘credor’, apesar de intimado, não explicou as dúvidas da Justiça e teve o pedido negado.

Em vez de recorrer da decisão, o Sr. Alfonso Del Negro Junior, ‘abrindo mão’ de R$ 9,5 milhões, desapareceu.

O Blog do Paulinho, porém, o encontrou.

Alfonso Del Negro Junior

Del Negro é proprietário do ‘Moinho Corina’, que está em Recuperação Judicial, parceiro de longa data de Adilson quando o dirigente esteve à frente da falida ‘Ippasa’, ambos no mesmo ramo de atuação (alimentício).

A Justiça, diante dos fatos, reconheceu a dívida dos Monteiro Alves apenas com a ex-funcionária, tornando-a beneficiária da herança.

Porém, anos depois, mesmo após a justiça ordenar o pagamento de R$ 340 mil, descontado do patrimônio do inventário, a Sra. Adriana nada recebeu.

Os Monteiro Alves não passaram os imóveis para seus nomes, alegando ausência de dinheiro para pagamentos dos impostos obrigatórios.

Percebendo a movimentação, a Justiça, para satisfação das pendências fiscais, determinou a venda do prédio localizado no município do Praia Grande, com o excedente, obrigatoriamente, sendo destinado à Adriana.

Adilson, em nova protelação, alegou que o bem teria valor comercial idêntico ao que a família devia à ex-funcionária (R$ 340 mil), e que, por conta disso, somente parte da dívida, após efetivada a venda, poderia ser honrada, pela necessidade de descontar impostos, dívida de IPTU (quase R$ 100 mil) e destinações financeiras aos demais herdeiros.

Inconformada, Adriana juntou no processo comprovação de que o imóvel, bem localizado, com piscina e demais regalias, não poderia valer menos do que R$ 1,5 milhão.

Na petição, a credora deixou claro:

“O Espólio (Adilson Monteiro Alves) e também seus herdeiros (Duílio e Adriano), são devedores contumazes conforme faz prova as certidões positivas de débitos trabalhistas (CNDT) acostados aos autos, (fls. 173/180) e também o próprio débito tributário (IPTU) dos imóveis inventariado nestes autos desde 2010, dentre outros”

A Justiça decidiu, diante desses fatos, que o apartamento somente poderá ser vendido após avaliação de três especialistas, pelo preço médio de mercado.

Em acontecendo, a persistente Adriana será a primeira ex-funcionária de Adilson Monteiro Alves, Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves e Adriano Monteiro Alves, após décadas de calotes, a receber, enfim, o que lhe é devido.

Vale lembrar: os três caloteiros, para dizer o mínimo, não conseguem confirmar a origem de suas rendas, embora as das dívidas sejam notórias, mas, apesar disso, ocupam cargos de diretoria no Corinthians, clube de arrecadação milionária, inclusive a presidência, sem previsão estatutária de remuneração.


EM TEMPO: após a conclusão do inventário, outras vítimas tentaram entrar na partilha do inventário, mas a Justiça negou-lhes o direito sob justificativa de que o processo já estava sentenciado.


Relação de processos trabalhistas em que os cartolas foram condenados a pagar seus funcionários, mas, apesar disso, seguem, quando não inertes, batalhando, conforme demonstrado nos documentos acima, para impedir a execução:

Adilson Monteiro Alves (30 processos)

0200200-24.2008.5.02.0014 – TRT 02ª Região
0002367-79.2010.5.02.0029 – TRT 02ª Região
0167100-63.2004.5.02.0032 – TRT 02ª Região
0243900-92.2005.5.02.0034 – TRT 02ª Região
0115700-76.2006.5.02.0052 – TRT 02ª Região
0075400-71.2003.5.02.0054 – TRT 02ª Região
0238900-07.2008.5.02.0067 – TRT 02ª Região
0166900-96.2005.5.02.0072 – TRT 02ª Região *
0062300-92.2008.5.02.0080 – TRT 02ª Região
0066600-25.2008.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0095000-83.2007.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0161500-97.2008.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0202300-36.2009.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0235800-64.2007.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0267100-44.2007.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0067300-32.2007.5.02.0202 – TRT 02ª Região
0127400-50.2007.5.02.0202 – TRT 02ª Região
0155400-60.2007.5.02.0202 – TRT 02ª Região
0174900-15.2007.5.02.0202 – TRT 02ª Região
0196000-23.2007.5.02.0203 – TRT 02ª Região
0000746-09.2013.5.02.0331 – TRT 02ª Região
1001477-80.2015.5.02.0601 – TRT 02ª Região
1002023-32.2015.5.02.0603 – TRT 02ª Região
1002204-27.2015.5.02.0605 – TRT 02ª Região
1000120-41.2015.5.02.0609 – TRT 02ª Região
1000287-55.2015.5.02.0610 – TRT 02ª Região
1001299-07.2015.5.02.0610 – TRT 02ª Região
1001362-26.2015.5.02.0612 – TRT 02ª Região

1002701-20.2015.5.02.0612 – TRT 02ª Região
1001412-70.2015.5.02.0703 – TRT 02ª Região


Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves (16 processos)

0167100-63.2004.5.02.0032 – TRT 02ª Região
0243900-92.2005.5.02.0034 – TRT 02ª Região
0115700-76.2006.5.02.0052 – TRT 02ª Região
0238900-07.2008.5.02.0067 – TRT 02ª Região
0166900-96.2005.5.02.0072 – TRT 02ª Região
0062300-92.2008.5.02.0080 – TRT 02ª Região
0066600-25.2008.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0095000-83.2007.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0161500-97.2008.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0202300-36.2009.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0235800-64.2007.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0267100-44.2007.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0067300-32.2007.5.02.0202 – TRT 02ª Região
0127400-50.2007.5.02.0202 – TRT 02ª Região
0174900-15.2007.5.02.0202 – TRT 02ª Região
0196000-23.2007.5.02.0203 – TRT 02ª Região


Adriano Monteiro Alves (16 processos)

0167100-63.2004.5.02.0032 – TRT 02ª Região
0243900-92.2005.5.02.0034 – TRT 02ª Região
0115700-76.2006.5.02.0052 – TRT 02ª Região
0238900-07.2008.5.02.0067 – TRT 02ª Região
0166900-96.2005.5.02.0072 – TRT 02ª Região *
0062300-92.2008.5.02.0080 – TRT 02ª Região
0066600-25.2008.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0095000-83.2007.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0161500-97.2008.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0202300-36.2009.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0235800-64.2007.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0267100-44.2007.5.02.0201 – TRT 02ª Região
0067300-32.2007.5.02.0202 – TRT 02ª Região
0127400-50.2007.5.02.0202 – TRT 02ª Região
0174900-15.2007.5.02.0202 – TRT 02ª Região
0196000-23.2007.5.02.0203 – TRT 02ª Região

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