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A verdade sobre o critério de escolha (ou a falta dele) das equipes que disputaram a Copa Rio de 1951

Ontem (22), em vez de comemorar os setenta anos da relevante conquista da Copa Rio de 1951, torneio amistoso disputado por grandes equipes do futebol mundial, o Palmeiras, novamente, vestiu a fantasia (literalmente, com o lançamento de uma camisa especial) do inexistente título mundial.

Freud e a política clubistica talvez expliquem.

Traçando um paralelo óbvio, seria o mesmo que considerar o Uruguai, detentor do título do Mundialito de 1981, numa final com a Seleção Brasileira que encantaria o planeta no ano posterior, além de Alemanha, Argentina, etc., como campeão mundial daquele ano.

Fosse um Botafogo/RJ, que morreu esportivamente nos anos 60, seria até justificável, mas a sala de troféus do Verdão esteve bem movimentada, desde então.

A ânsia de igualar-se, de maneira anti-natural, aos adversários mais diretos, Corinthians, São Paulo e Santos, todos vencedores da Copa do Mundo de Clubes, seja na versão da FIFA ou através da disputa Intercontinental, tem efeito contrário evidente.

O Palmeiras virou chacota na boca do povo, com direito a músicas e manifestações frequentes pela internet.

A insistência acabará, inclusive, por minimizar uma eventual conquista legítima, feito que pode ser atingido, em exemplo, neste ano, em que as coisas se facilitaram para o eventual vencedor da Libertadores que, em vez da melhor equipe da Europa, enfrentará apenas o mediano Chelsea, isso se não passar pelo vexame que, recentemente, alguns sulamericanos se submeteram ao serem eliminados ainda nas semifinais.

Voltando a 1951, apenas para deixar ainda mais claro o que é muito óbvio, pesquisa do historiador, escritor, professor, etc, etc, etc, José Renato Santiago sobre os participantes da Copa Rio evidencia bem o nível classificatório para o torneio.

Os representantes do Brasil, Palmeiras e Vasco, eram campeões de seu Estado – no caso do Verdão, também do Rio-São Paulo, porque inexistia uma disputa nacional.

O Nacional era campeeão do Uruguai, assim como o Estrela Vermelha, da Iugoslávia.

Porém, o Áustria Viena foi apenas o terceiro colocado da irrelevante Áustria, que sequer participou do Mundial de 50 e foi eliminada nas quartas de final das Olimpíadas de 52.

Havia o Nice, campeão francês, de um país que não participou da Copa do Mundo de 50 e foi eliminado na fase de grupos nos Jogos Olímpicos de 52.

Até a famosa Juventus, de Turim, terminou apenas na terceira colocação do Italiano, posição melhor, ao menos, do que a da própria Itália, que amargou o sétimo lugar em 50, sendo eliminada na primeira fase olímpica de 52.

Por fim, o Sporting era campeão de Portugal, que não esteve nem na Copa de 50, muito menos das Olimpíadas de 52.

Meticuloso, José Renato pesquisou, também, se os países que melhor se qualificaram na Copa do Mundo de 1950 estiveram representados na Copa Rio de 1951.

Nesse critério, o Uruguai, campeão, se fez presente através de Nacional.

Brasil, vice, teve Palmeiras e Vasco.

Entretanto, Espanha e Suécia, terceiras e quartas colocadas, não enviaram representantes ao torneio.

Outra análise, agora sobre os melhores das Olimpíadas de 52, obteve o seguinte resultado:

A Hungria, medalha de Ouro, não tinha equipes na Copa Rio de 51.

O Estrela Vermelha, da Iugoslávia, representou o país medalhista de prata.

Suécia e Alemanha, bronze e quarta colocada, não enviaram equipes ao Brasil.

A pesquisa, comparando os resultados mais relevantes do futebol nos anos anterior e posterior à Copa Rio de 1951, comprova que o critério técnico, diferentemente do apregoado, não era tão rígido na escolha dos participantes do campeonato.

Eis o retrato verdadeiro dos fatos.

O resto é retórica de quem precisa se dar bem por razões diversas ou por fanatismo aliado à desinformação reinante entre os que escutam falar, mas não checam, verdadeiramente, as informações importantes.

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Um comentário sobre “A verdade sobre o critério de escolha (ou a falta dele) das equipes que disputaram a Copa Rio de 1951

  1. José C. Borin

    Antes de 2000 não exiistia campeonato mundial de clubes (e ainda não existe, a FIFA era para ter criado este ano, o que não aconteceu devido à pandemia). A Copa Rio, mesmo com os seus comentários, supera em muito o Torneio Intercontinental de Clubes dos anos 60 e a Copa Toyota (torneio inventado por uma montadora e realizado no país sede da mesma). O que existe hoje, impropriamente chamado pela FIFA de mundial, não é nada mais que um TORNEIO INTERCONTINENTAL DE CLUBES, equivalente à Copa das Confederações de Países (já extinta ou em vias de extinção pela FIFA), basta comparar os formatos, portanto acho esta discussão inútil, que serve apenas para enaltecer de maneira indevida times que hoje estão à beira da falência, e querem mostrar uma supremacia com relação a outros que realmente são PROTAGONISTAS.

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