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Pazuello, burocrata do morticínio

General Pazuello tenta blindar Bolsonaro na CPI, reage a Renan e mente ao  menos quatro vezes - 19/05/2021 - Poder - Folha

Da FOLHA

Por THIAGO AMPARO

Responsabilizar o ex-ministro é necessário para que possamos respirar

Quando 439 mil mortes se tornam rituais burocráticos banais, onde fica a dor? E mais: sobre quem recai a responsabilidade? Entre ofícios ao vento e secretariados sem rosto, o que vimos na CPI da Covid-19 nesta quarta-feira (19) foi a farda do morticínio: um Pazuello encarnando a figura do burocrata que diz não receber ordem de ninguém, mas omite que quem dava a ordem era ele mesmo e o presidente da República.

É pelo governo de ninguém —a essência da burocracia da morte— que se constrói a banalidade do mal. “O presidente nunca me deu ordens diretas para nada”. “Todos os órgãos de controle” teriam rejeitado a Pfizer”. “Se tivéssemos sabido antes [sobre Manaus], poderíamos ter agido antes”. Manaus teria durado três dias. Essas foram (algumas das) mentiras de Pazuello diante da CPI, todas elas apontando para a falsa ideia de que a matança seria um crime sem autor.

Não há dúvida de que “a essência” do morticínio, nos ensina Hannah Arendt sobre o nazista Adolf Eichmann, é “transformar homens em funcionários e meras engrenagens.” Pazuello encarna a banalidade do mal, porque finge não ver que atos e omissões suas são a própria razão pela qual estas mortes existem. Pois são. É graças à burocracia científica que temos a vacina a nos salvar todos os dias. Por Pazuello, teríamos apenas a burocracia da morte.

Não nos enganemos: por trás desta atuação, há um emaranhado de atos de governo sobre os quais Pazuello há de responder. O ex-ministro ignorou alertas sobre falta de oxigênio em Manaus; lançou em janeiro o aplicativo do tratamento precoce sobre o qual desconversou; mostrou saber muito bem sobre falta de oxigênio e sobre a lentidão na compra da vacina; não coordenou municípios e estados. À CPI, cabe discursar menos e inquirir mais e melhor.

Pazuello é o arquiteto da burocracia onde se morre de sufocamento fingindo ser um mero soldado a cumprir ordens de ninguém. Responsabilizá-lo é necessário para que possamos respirar.

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Um comentário sobre “Pazuello, burocrata do morticínio

  1. Jose Ricardo

    Os senadores e a imprensa lulista estão no momento se convalescendo do mata-leão que levaram do general Pazuello. As esperança dos lulistas e da imprensa lulista era que Renan & Randolfe enquadrassem o general pra detonar Bolsonaro, mas eles levaram um contragolpe mortal e no final eles é que foram enquadrados pelo general. Ingenuamente caíram na armadilha do habeas corpus pedido pela defesa, se prepararam para a mudez do general e ficaram feito baratas tontas ao se depararem com o fato de que ele não ia fugir da luta e que responderia a tudo que lhe perguntassem, a ponto do Renan, feito um cd riscado, repetir por diversas vezes as mesmas perguntas. E teve senador(a) que nem coragem teve de perguntar, optou por se poupar moralmente usando seu tempo pra se fazer discurso de campanha visando as eleições de 2022. O general não só respondeu a tudo e a todos como didaticamente mostrou aos senadores como se ganha uma batalha de comunicação. Ao final R&R e demais senadores lulistas e principalmente a imprensa lulista saíram moralmente muito menores do que entraram, se é que isto é possível. E não vai demorar muito pra essa gente, que ataca sistematicamente Bolsonaro, inocentarem o vírus de tudo.

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