Íntegra de todos os contratos do Corinthians com a OMNI

No final de 2018, o Corinthians rompeu contrato com a OMNI, que tem propriedade oculta atribuída ao ex-presidente do clube, Andres Sanches, pagando R$ 14 milhões pela rescisão.
Pouco tempo depois, em dezembro do mesmo ano, o Timão fechou acordo com a IBM.
O Blog do Paulinho teve acesso a todos os contratos firmados pelo Corinthians com a OMNI, reveladores de vantagens ainda mais prejudiciais ao clube dos que as comentadas por seus próprios dirigentes.
Por exemplo, Andres Sanches e Mario Gobbi, ex-mandatários, afirmaram, em diversas entrevistas, que a empresa ganhava, apenas, 50% do valor das mensalidades do plano ‘Fiel Torcedor’.
Não é verdade.
Detalharemos em ordem cronológica.

CONTRATO ORIGINAL
No dia 07 de dezembro de 2007, dois meses após assumir um mandato tampão após a queda de Alberto Dualib, Sanches assinou contrato com a OMNI, nos seguintes termos:
- tempo de contrato: 48 meses, ou seja, até 07 de dezembro de 2011;
- a empresa não precisava trabalhar com exclusividade para o clube, mas o Corinthians não poderia contratar outra prestadora de serviços para exercer a mesma função;
- custos tecnológicos e de implementação de equipamentos (catraca, computadores, etc) eram de responsabilidade da OMNI
- remuneração:
65% do valor BRUTO entre 01 e 15 mil sócios torcedores pagantes (depois, no aditivo, passou para 75%);
60% entre 15.001 e 25 mil;
50% entre 25.001 e 30 mil;
40% entre 30.001 e 45 mil;
25% entre 45.001 e 60 mil;
15% entre 60.001 e 75 mil;
10% entre 75 mil e 90 mil;
5% acima de 90 mil.

Cada ingresso de Fiel Torcedor utilizado em partidas do Corinthians: R$ 1,15 para a OMNI

A responsabilidade de pagamento dos funcionários contratados pela OMNI em dia de jogos era do Corinthians.
Em números recentes, de fevereiro de 2020, anteriores à pandemia de COVID-19, o Corinthians apresentava 85 mil ‘Fiéis Torcedores’ ativos.
No período em que a OMNI embolsava o dinheiro, falava-se em mais de 100 mil.
A média de público presente no estádio era entre 30 mil e 40 mil.
Multa contratual: R$ 2 milhões, acrescidos de Indenização por perdas e danos.
A OMNI, pelo contrato, recebia o dinheiro antes e repassava os valores ao Corinthians já descontada, na fonte, a sua remuneração.
Ou seja, o controle de arrecadação era da empresa.
Outra clausula interessante, a de nº 8.1, obriga o clube a repassar à OMNI, gratuitamente, brindes, artigos, uniformes oficiais, ingressos para jogos e eventos do Timão.
Detalhe: sem especificação de quantidade – o que é praxe em contratos desse tipo, apenas com a indicação ‘dentro das condições do Contratante’.


1º ADITIVO assinado em 14/01/2008
Pouco mais de um mês após assinar contrato com a OMNI por quatro anos, Andres Sanches decidiu ampliar o vínculo por mais um ano.
De 07/12/2011 para 07/12/2012.
Aumentou também o valor que a OMNI ganharia por cada ingresso de Fiel Torcedor vendido no estádio:
De R$ 1,15 para R$ 1,50.
As demais clausulas permaneceram inalteradas.


2º ADITIVO assinado em 01/09/2009
No dia do aniversário do Corinthians quem ganhou presente foi a OMNI com a extensão do contrato, que venceria apenas em 2012, para 07/12/2013.
Novamente a assinatura foi de Andres Sanches.
Nesse aditivo, as alterações ocorreram apenas na remuneração dos primeiros 15 mil Fiéis Torcedores pagantes:
- de 65% da renda bruta para 75%, mantendo-se os demais percentuais;
- em contraponto, o valor que a OMNI recebia por cada ingresso utilizado em partidas do Corinthians caiu de R$ 1,15 para R$ 0,35.
Demais clausulas idênticas às anteriores.



3º ADITIVO assinado em 07/01/2011
Andres Sanches, feliz com a ‘parceria’, prorrogou o contrato, que venceria apenas em 07/12/2013, para 07/12/2015.
Os percentuais da OMNI na venda de planos ‘Fieis Torcedores’ foram mantidos, mas, sem contrapartida, o lucro por ingresso vendido, antes reduzido para R$ 0,35, saltou para R$ 1,30.
A multa contratual triplicou, passando de R$ 2 milhões para R$ 6 milhões, também com direito a Indenização por perdas e danos


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4º ADITIVO assinado em 23/09/2013 – aditivo da Copa do Mundo
Agora sob comando do delegado Mario Gobbi, o Corinthians, mais de dois anos antes do vencimento, estendeu o contrato com a OMNI, que venceria apenas em 07/12/2015 para 07/12/2019.
Quatro anos a mais.
Todas as demais cláusulas foram mantidas.
Com promessa de estádio cheio em todos os jogos, a OMNI comprometeu-se a investir R$ 5,4 milhões em equipamentos para suportar a Copa do Mundo, que, depois, seriam utilizados em futuros jogos do Corinthians.
Não há porém, nenhum documento que comprove se, de fato, a empresa realizou esses gastos no período.

Observando-se que a multa contratual, prevista no último aditivo, assinado pelo delegado Mario Gobbi, era de R$ 6 milhões, é estranho que o Corinthians admita ter fechado o distrato no valor de R$ 14 milhões, mais do que o dobro do valor previsto, ainda que incluída a Indenização por Perdas e Danos.
Clique no link a seguir para baixar a íntegra de todos os contratos do Corinthians com a OMNI:
Todos os contratos Corinthians – OMNI
