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Substitui-se a saudação de cotovelos por um cheiro no cangote das parlamentares

Da FOLHA

Por CLAUDIA TAJES

Novo código de conduta da Assembleia de SP foi criado a partir de práticas comuns em ambientes como a escola fundamental

Senhores deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo, após os recentes acontecimentos envolvendo dois parlamentares da casa —ela, uma jovem advogada; ele, um grisalho precoce que se apresenta como político e produtor rural—, vimos por meio desta sugerir um novo código de conduta para seus membros —em todos os sentidos.

O presente código foi elaborado a partir de práticas comuns em ambientes como os primeiros anos da escola fundamental, os beach clubs de praias que se consideram internacionais e alguns bastidores e camarins. O objetivo é acabar com o mimimi e o vitimismo, esses dois males que, junto do politicamente correto, estão minando o espírito fanfarrão do brasileiro.

Às sugestões, pois.

Fica permitida aos nobres deputados a não observância do distanciamento social se suas colegas comparecerem ao trabalho com trajes provocantes, por exemplo, blusas sem manga, saiotes diáfanos, certos tipos de decotes e calças justas. Também calças largas, mangas longas, golas rulê e casacões. Em casos extremos, se os olhos das deputadas forem muito bonitos, abre-se exceção para as burcas.

Uma sala especial será criada para melhor aproveitamento dos vídeos e fotos que os deputados enviam uns aos outros durante as sessões. Privacidade, tela grande e boa qualidade acústica garantirão uma experiência muito mais prazerosa para a visualização de peitos e bundas. Isso enquanto, do lado de fora, questões chatérrimas como saúde da população e orçamento são discutidas.

Caso não concordem com os pronunciamentos de suas colegas, é facultado aos deputados interromper as falas delas com palavras bem-humoradas, dessas que qualquer criança grita —e se diverte. Piranha! Travecão! Baranga! Bicha! Sapata! Gostosa! Cachorra! Felizmente, nossa língua é rica o bastante para permitir ofensas que não firam a moral da família brasileira. Obs: serão aceitos também neologismos, como tetudaça, machorrenta, raboazuda, e o que mais a criatividade inspirar.

Por último, mas muito importante, substitui-se o cumprimento de cotovelos da pandemia por um cheiro no cangote das parlamentares. Em caso de intimidade, admite-se uma lambida. Te ver e não te querer é improvável, é impossível, diz a música. Com o que concordam os deputados que posam com esposa e filhos para conseguir seu voto.

Imprima-se.

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