Segundo MPF, cartola do São Paulo recebia propina para lavar dinheiro do BMG

Osvaldo Vieira de Abreu

Contratos de patrocínios do banco com São Paulo e Santos estão sendo investigados

Diretor financeiro do São Paulo entre 22/05/2006 a 26/11/2015, Osvaldo Vieira de Abreu, segundo o Ministério Público Federal, mantinha empresa de fachada com objetivo único de lavar dinheiro para o BMG, afamado ‘Banco do Mensalão’.

Tratava-se da CONSPLAN Consultoria, fundada no início dos anos 90.

Segundo os procuradores, o único ‘cliente’ de Abreu ao longo desse anos todos era o BMG.

Nesse meio tempo, em 2010 o banco fechou contrato de patrocínio com o Tricolor.

Ou seja, Osvaldo Vieira de Abreu, na mesma época em que avalizava, em nome do clube, a assinatura desta parceria, estaria recebendo dinheiro do BMG.

A ‘Operação Macchiato’ conseguiu comprovar, até o momento, repasses do banco à CONSPLAN no valor de R$ 13,9 milhões, em 2014, e R$ R$ 6,6 milhões, em 2015, período em que o cartola Tricolor ocupava cargo na gestão Carlos Miguel Aidar, presidente afastado por acusações de corrupção.

O MPF revelou, também, que, apesar de ter recebido mais de R$ 20,5 milhões nesse período, pelo menos até março de 2016, a empresa, que possuía domicílio fiscal em Varge Grande Paulista/SP, nunca teve sequer um funcionário registrado.

Osvaldo teria ‘lavado’ também, segundo os procuradores, dinheiro do patrocínio do BMG com o Santos Futebol Clube, sob disfarce de intermediário do negócio.

Ouvidos, dirigentes do Peixe entregaram que a CONSPLAN, apesar de ter inserido na contabilidade o recebimento de comissionamento, não participou do negócio.

A acusada ‘propina’, revelada pelo MPF, era sacada em espécie pelo ex-financeiro do São Paulo, procedimento que se estendeu até o recente ano de 2019.

Diz trecho da denúncia, enviada à Justiça Federal:

“(…) não foi apresentado ao fisco qualquer documento capaz de comprovar a efetiva atuação da CONSPLAN tanto na contratação dos empréstimos consignados em que o BANCO BMG S/A figura como credor, como naqueles em que o BCV figura como credor”

“E mais, diversos clientes do BANCO BMG e do BCV, tais como BAMBUÍ BIOENERGIA S/A, CONSTRUTORA SÃO JOSÉ DESENVOLVIMENTO LTDA e SANTOS FUTEBOL CLUBE, confirmaram perante a Receita Federal que não houve qualquer atuação da CONSPLAN na intermediação dos contratos”

“Para comprovar a efetiva prestação dos serviços discriminados no contrato, a CONSPLAN apresentou extratos bancários de 2014 e 2015, onde ficou claro que a CONSPLAN tinha o BMG S/A como seu único cliente e que, considerando o período de janeiro a maio de 2014, o destino do dinheiro aportado pelo banco consistiu basicamente no pagamento de tributos, transferências em favor dos sócios OSVALDO VIEIRA DE ABREU e MARIA EMÍLIA VIEIRA DE ABREU e, em sua maior parte, realização de saques em espécie”

“É de se notar que, conforme apontado no Relatório de Inteligência Financeira 4626843, foram realizados diversos saques fracionados na tentativa de evitar a comunicação automática de saques ao COAF, configurando-se a modalidade de lavagem de ativos denominada “smurfing”44. E de acordo com o RIF 46268 essa prática teria ocorrido de 2014 até 2019”

Na última semana, Osvaldo Vieira de Abreu sofreu ‘busca e apreensão’ e teve documentos confiscados pelas investigações.

O BMG mantém parceria com diversos clubes relevantes do país e, muito provavelmente, em breve, outros contratos deverão ser esmiuçados com grande possibilidade de desdobramentos semelhantes.

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