Após homologação de Recuperação Judicial, a Odebrecht, no próximo dia 03, deverá dar quitação à dívida do Corinthians

Ontem (27), a 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, através de Sentença do juiz João de Oliveira Rodrigues Filho, homologou o pedido de Recuperação Judicial da Odebrecht, avaliado em R$ 83 bilhões distribuídos por onze empresas do grupo.

Entre elas está a OPI (Odebrecht Participações e Investimentos), até então credora do Corinthians.

Antes dessa manifestação judicial, ocorreu, em 24 de setembro de 2020, a Assembleia Geral de Credores, para deliberar pormenores do acordo de recuperação, porém, três empresas decidiram adiar o procedimento para a próxima terça-feira (03 de novembro).

Entre elas a OPI.

Nessa reunião será avaliado, de fato, quanto e se o Corinthians terá ainda que pagar algum valor à Odebrecht.

Levando-se em consideração que a dívida anterior, composta por quase R$ 500 milhões em debentures tomados pela OPI (em nome do Timão) e 11% da participação da empresa no Arena Fundo, foi descartada pelos credores, existe a possibilidade da pendência alvinegra, de fato, ser zerada.

Os títulos foram tratados como ‘papel podre’, ou seja, impossíveis de serem recebidos,

Desde já (através de ‘bocas de aluguel’ da imprensa), de maneira indevida, o presidente do Corinthians, Andres Sanches, tentará capitalizar o ‘feito’ (eliminação da dívida do clube com a construtora) como fruto de seu ‘trabalho’, porém o cartola sequer sentou na mesa de discussões, conforme comprovam atas de todas as reuniões do grupo, expostas publicamente pela Justiça.

Pelo contrário.

O Corinthians deu sorte ao ser beneficiado por ação de terceiros, e, de maneira humilhante, foi tratado como ‘caloteiro’.

É interessante notar que na lista de empresas que receberão algum dinheiro da OPI (o que sobrou do acordo), três delas são ligadas, de alguma maneira, ao Corinthians, o que demonstra curiosa interação entre as partes.

São elas:

  • BDO/RCS, do ex-diretor de finanças Raul Corrêa da Silva;
  • Mariz de Oliveira e Siqueira Campos Advogados, do ex-sogro de Sérgio Alvarenga, que ocupou a diretoria jurídica alvinegra e,
  • Machado Meyer advogados, que, ainda hoje, serve ao Arena Fundo, gestor do estádio de Itaquera.

Aliás, a BDO está presente com créditos a receber em quase todas as empresas do grupo Odebrecht, indicando que as assinaturas de seu proprietário, obrigatórias, estatutariamente, para o início das obras do estádio de Itaquera, parecem, de fato, terem sido bem recompensadas.

Em encerrada a pendência com a OPI, restará ao Corinthians pagar o que deve à CAIXA e também ao Arena Fundo, sem contar as ações judiciais, alguma milionárias, referentes a descumprimentos de TACs assinados com o MP-SP

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