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Documentos comprovam negócios nebulosos de três presidentes do Corinthians com Luciano e o traficante que o agencia

Luciano assina contrato no Corinthians ao lado do traficante Padrinho

MARIO GOBBI

No dia 24 de fevereiro de 2014, o delegado Mario Gobbi, então presidente do Corinthians, sentou-se à mesa com o traficante internacional Ângelo Canuto e acertou a contratação do atacante Luciano, que hoje está no São Paulo.

O vulgo ‘Padrinho’ viria a ser preso, meses depois, e condenado por movimentação de mais de uma tonelada de cocaína no Porto de Santos.

O clube pagou R$ 922 mil para adquirir apenas 25% dos direitos econômicos do atleta.

60% permaneceram em nome da Plus Sports, de propriedade do traficante, e 15% com a Talents Sports, parceira do sujeito.

Ambos haviam adquirido 100% do jogador em rolo envolvendo o Avaí/SC, do qual ‘Padrinho’ foi benfeitor durante algum tempo.

Apesar de não haver agentes envolvidos na intermediação do negócio, realizado, diretamente, entre os donos da ‘mercadoria’ e o comprador, Gobbi aceitou pagar, ainda, R$ 172 mil de comissão ao traficante, equivalente a 13% da transação.

A clausula 2.1 do acordo é reveladora sobre as pessoas com quem o Corinthians aceitou transacionar:

“Os pagamentos à Plus Sports serão feitos mediante depósito em conta a ser oportunamente indicada”

Ou seja, Canuto, por razões óbvias, não tinha condições de indicar um relacionamento bancário na data da assinatura do contrato.

 


ROBERTO ANDRADE

No dia 16 de julho de 2017, o presidente Roberto Andrade acertou a venda de 100% de Luciano para o Panathinaikos, da Grécia, pela ínfima quantia de 100 mil Euros (R$ 635,7 mil em valores atuais).

Porém, como o atleta mantinha contrato com o Timão até 31 de dezembro, o clube simulou um acordo de empréstimo (pelo preço mencionado), com a transferência definitiva passando a vigorar à partir de 01 de janeiro de 2018.

Em caso de venda futura, os 25% do clube, comprados do traficante Padrinho, foram assegurados pela cláusula de nº 3.

Dinheiro que o clube não ganhou porque Luciano, em 2018, rescindiu o contrato com os gregos, em ação por atraso de pagamentos de salários.

Ou seja, o Corinthians perdeu o percentual pelo qual, entre direitos e comissão, pagou R$ 1 milhão.

Interessante verificar que no contrato assinado por Roberto Andrade com o Panathinaikos existiam inverdades claras, dentre as quais:

  • Cláusula 1ª, letra B: ‘O Corinthians declara que é o único e exclusivo dono dos direitos de futebol profissional do jogador”
  • Cláusula 6ª, letra A: ‘O Corinthians declara (…) possuir o registro do jogador de forma absoluta e livre de quaisquer obrigações contratuais e/ou relacionamento com outros clubes, agentes licenciados ou qualquer outra pessoa ou pessoa jurídica”

Porém, a clausula nº 1.1 do Contrato em que o Corinthians adquiriu Luciano junto a ‘Padrinho’ é clara em especificar que, em caso de transferência do jogador, os percentuais especificados no acordo precisariam ser respeitados.

Ou seja, dos R$ 635,7 mil acertados com os gregos, o traficante teria direito a R$ 381,4 mil, a ‘Talents Sports’ a R$ 95,3 mil, restando ao Timão, apenas, R$ 158,9 mil (prejuízo de quase R$ 850 mil, levando-se em consideração que o clube pagou R$ 1 milhão pela contratação)


ANDRES SANCHES

Em 21 de fevereiro de 2018, quando Luciano, há um mês, já era, definitivamente, jogador do Panathinaikos, período em que os gregos realizariam o pagamento de 100 mil Euros, o presidente do Corinthians, Andres Sanches, assinou estranha readequação do acordo firmado por Roberto Andrade.

Inusitadamente, as condições para o Timão pioraram.

Dos 100 mil Euros acordados, anteriormente, com a inclusão dos direitos de formação (5%), Sanches aceitou receber apenas 95 mil Euros, abrindo mão do percentual de clube formador.

Para piorar, o acordo, que previa pagamento à vista, 20 dias após o recebimento da transferência definitiva de Luciano, foi modificado.

Sanches aceitou receber a quantia em inacreditáveis 24 parcelas de 3,9 mil Euros (R$ 25 mil) cada.

Uma estranha pechincha.

Talvez explicável com a seguinte informação: após a prisão de Padrinho, Luciano, com aval do traficante, acertou-se com Fernando Garcia, irmão de Paulo Garcia, dono da Kalunga, que mantém estreita relação com o cartola, a ponto de, comprovadamente, ter se tornado seu principal doador de campanha ao parlamento, e, em troca, recebido, na gestão Roberto Andrade, as chaves dos departamentos de futebol, financeiro e de base do Corinthians.

Hoje em dia, Canuto está em liberdade e participa da condução da carreira do jogador em parceria, através da recém criada ‘Fenix Sports’, com a Elenko Sports.


A COBRANÇA NA JUSTIÇA

Fabio Trubilhano

Após o acerto com os gregos, o presidente do Corinthians, Andres Sanches, como de hábito, não pagou o que era devido aos parceiros de contrato.

Padrinho, que tinha direito a R$ 635,7 mil, estranhamente, silenciou, talvez motivado pela manutenção do acordo com a Elenko, pelo qual, provavelmente, deve ter sido recompensado, ainda que de maneira desconhecida, por enquanto, da coletividade alvinegra.

A “Talents’, que tinha direito a 15% sobre 95 mil Euros, tentou cobrar o Corinthians amigavelmente e até recebeu email do advogado Diogenes Mello, do departamento jurídico alvinegro, que tem como diretor Fabio Trubilhano – ligado a Luis Paulo Rosenberg, prometendo a quitação da pendência, ainda que em ‘suaves’ prestações.

Porém, nenhuma parcela foi honrada.

Em consequência, o Timão foi acionado judicialmente e, desde ontem, por ordem do juiz Antonio Manssur Filho, recebeu prazo de três dias para pagamento voluntário da pendência.

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