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Ex-diretor de finanças do Corinthians fala sobre Arena e defende honestidade de Andres Sanches

Mario Gobbi e Raul Corrêa da Silva aplaudem estádio em Itaquera

No último final de semana, o ex-diretor de finanças do Corinthians, Raul Corrêa da Silva, concedeu entrevista ao Canal do Nicola, ocasião em que, mesmo apresentando-se na condição de oposicionista, atestou a ‘idoneidade’ da gestão Andres Sanches.

Reiterou, diversas vezes:

“Nunca vi história triste (coisas erradas) no Corinthians”

Esqueceu-se, porém, que ele próprio, além de Andres Sanches, Roberto Andrade e André Negão, seguem réus em três ações criminais por conta da prática de sonegação de impostos e apropriação indébita, que obrigou o clube, tempos atrás, a endividar-se em mais de R$ 100 milhões num empréstimo às pressas para não ter seus cartolas presos pelos delitos.

Raul defendeu, também, a política de pagamento de comissões a agentes de jogadores:

“No futebol pode ir de 0% a 50%”

“No tempo em que eu fiquei lá, eu não vi absolutamente nada (de errado, nas negociações)”

Nesse assunto, ainda, revelou que o salário de Alexandre Pato, contratado a peso de ouro à época, apesar do Milan tê-lo oferecido em empréstimo, era de R$ 800 mil.

Poucas vezes a gestão Andres Sanches foi defendida com tanta ênfase.

Nas últimas semanas, através de seu escudeiro, Claudio ‘Vila Maria’ Romero, apesar de declarar apoio ao ex-delegado Mario Gobbi, Raul vem tentando uma composição com a atual gestão, disfarçada de movimento de ‘união’ do clube.

O ex-vice de finanças falou também sobre a Arena de Itaquera.

Defendeu a engenharia financeira do estádio, que, sabe-se hoje, é desastrosa, dizendo que as coisas mudaram apenas quando o estádio resolveu ‘virar Copa do Mundo’, quando, em verdade, é de conhecimento público que a origem do projeto, desde sempre, se deu sob essa condição, a de ser palco de abertura do Mundial.

No bate-papo, Raul tentou se desvencilhar da responsabilidade de ser o dirigente que assinou praticamente todos os contratos da obra, inclusive seus aditivos, (em conjunto com Mario Gobbi e Roberto Andrade), excetuando-se o primeiro, que foi rubricado apenas por Andres Sanches (aliás, o único que contém assinatura do cartola):

“(…) toda essa parte da Arena foi conduzida pelo Andres e pelo Rosenberg…”

“(…) a diretoria do clube não esteve envolvida nisso (engenharia financeira da Arena)… esse envolvimento é de Andres e Rosenberg… mas eu achava que a estrutura (financeira) era muito boa”

“(…) como eu te falei, eu não participei da construção da Arena”

É obrigação do diretor de finanças não apenas assinar os contratos financeiros do clube em conjunto com o presidente, conforme relembrou Raul em trecho da entrevista, mas também recusar-se a fazê-lo, em caso de flagrante irregularidade ou possibilidade de prejuízo à instituição.

Enquanto financeiro alvinegro, o cartola deu anuência a todo o desastre financeiro que hoje cerca as contas do Corinthians, desde os contratos do estádio até as transações suspeitíssimas de jogadores de futebol, chegando, inclusive, a assinar, junto com o delegado Mario Gobbi, documento enviado pelos acionistas do Arena Fundo FII à Caixa, não apenas no campo indicado como do Corinthians, mas também no da empresa Jequitibá Patrimonial, uma das envolvidas nesse emaranhado de prepostas, todas com mesmo endereço e gestores indicados pela BRL Trust, parceiro da Odebrecht.

Construtora que, perto do final das obras, contratou a empresa de Raul Corrêa da Silva para analisar toda a sua contabilidade e das demais controladas, em contrato vigente até os dias atuais, a custo de muitos milhões de reais.

Vale lembrar que, sem a assinatura do então diretor financeiro, obrigatória estatutariamente, o estádio de Itaquera não teria saído do alicerce.


Abaixo, trechos da entrevista de Raul Corrêa da Silva ao Canal do Nicola, seguido pela devida transcrição:

Arena de Itaquera

“(…) toda essa parte da Arena foi conduzida pelo Andres e pelo Rosenberg…”

“(…) dentro da visão que nós tinhamos, a engenharia (financeira) parecia muito bem montada”

“(…) onde mudou um pouco essa estrutura foi na hora que resolveu virar Copa do Mundo… porque na hora que virou Copa do Mundo você precisa mudar o estádio… eu não participei disso, mas por tudo que a gente ouvia…”

“(…) a diretoria do clube não esteve envolvida nisso (engenharia financeira da Arena)… esse envolvimento é de Andres e Rosenberg… mas eu achava que a estrutura (financeira) era muito boa”

“(…) como eu te falei, eu não participei da construção da Arena, mas, logicamente… existe um livro sobre a Arena… existe um livro que o Andres fez há uns anos atrás, que se chama ‘Nossa Casa’, acho… eu não lembro o nome, mas vende em qualquer lugar… onde conta toda a história da Arena”

“Toda parte do contrato da Arena, é o presidente que assina sozinho, então, a contratação da Arena… é estatutário isso… e quando você tem qualquer contrato com um banco do outro lado, é o presidente e o diretor de finanças (que assina)”

“Por exemplo: vou pegar um cheque de R$ 1 mil… é o presidente e o diretor de finanças… vou contratar os R$ 400 milhões da CAIXA Econômica… é o presidente e o diretor de finanças…

Honestidade de Andres Sanches

“O Corinthians está hoje com uma dificuldade de caixa razoável… mas o Corinthians não tem história triste (coisas erradas)”

“A história triste, normalmente, é a imprensa que existe… o que sai na imprensa… que as pessoas comentam: “Ah! que tem isso, tem aquilo e aquilo outro”

“Quer dizer: “O Corinthians é campeão de comissões”… mas estão lá declaradas”

“Eu fiquei à frente das finanças do Corinthians durante sete anos e nunca apareceu história triste… nunca vi história triste”

“Por mais que se fala, também nunca vi uma pessoa chegando e falando: “Raul, olha esse documento aqui…” eu nunca vi”

“Qualquer compra e venda de jogador passa pela FIFA, passa pelo Banco Central… entra o recurso ou sai o recurso do clube… quando tem o agente, se paga o agente… o Corinthians faz todos esses pagamentos diretos…”

“No tempo em que eu fiquei lá, eu não vi absolutamente nada”

“O que existe… tem uma diferença em compra e venda de jogador… isso é importante entender… cada um quando compra uma casa ou vende uma casa, sabe que tem 6% de comissão… todo mundo que comprou ou vendeu um apartamento sabe que o corretor cobra 6%… e o futebol isso pode ir de 0% a 50%… depende do negócio…”

Salário de Alexandre Pato

“O Pato quando veio, ele era R$ 400 mil de salário e R$ 400 mil de direito de imagem (total R$ 800 mil)


EM TEMPO: o filtro de edição, utilizado por Raul Corrêa da Silva para disfarçar as imperfeições do rosto e, talvez, a idade, que deixou-o parecido com o ‘Data’, personagem clássico de ‘Star Trek – A Nova Geração’ (no tom da pele), é absolutamente constrangedor”

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