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Odebrecht quer se livrar do Corinthians

Recentemente, a Odebrecht Participações e Investimentos, empresa ligada à construtora que lhe empresta o nome, retirou do acordo de recuperação judicial os valores a ela devidos pelo Corinthians, avaliados em R$ 700 milhões.

R$ 610 milhões em debentures e R$ 90 milhões correspondentes a 11% dos direitos sobre estádio de Itaquera.

A fundamentação, absolutamente vergonhosa para o clube, foi a de que tratava-se de ‘dinheiro perdido’.

Os credores da empresa não queriam e a Odebrecht não arriscou inserir esses recebíveis no acordo.

Diz trecho de decisão judicial do processo nº 1057756-77.2019.8.26.0100, em trâmite na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo:

“As Debentures OPICP e Debentures OPILP a receber, são debentures a receber da Arena ltaquera S.A., que na avaliação atestou que não ha expectativa de recebimento, por conta disso foram baixadas no calculo total de endividamento da ODEBRECHET PARTICIPAÇOES E INVESTIMENTOS S.A.”

Outra revelação importante, e preocupante, inserida no “Relatório AP-00635/19-01 – Viabilidade Financeira da Recuperação da Odebrecht”, foi a seguinte:

“(…) para honrar as dívidas do estádio, o Corinthians, através da Arena Itaquera S/A, precisará de sucessivos aportes (financeiros) e nova captação de debentures.

Em resumo, trata-se de um negócio, nos atuais moldes, inviável.

Por conta disso, a desejo da OPI e não por trabalho de Andres Sanches – como tenta fazer transparecer o cartola alvinegro – é grande, de fato, a possibilidade de acordo nessa pendência.

A Odebrecht quer se livrar do Corinthians e, para tal, diante do calote documentado, aceitará receber qualquer quantia, para a qual dará total quitação.

O clube fala em R$ 150 milhões, aproximadamente.

Vale lembrar que outra parte da pendência foi quitada pelos CIDs emitidos pela Prefeitura.

Restará ainda a dívida com a CAIXA, avaliada em mais de R$ 536 milhões, provavelmente, até por conta da pandemia, a ser renegociada pelo futuro presidente, os sucessivos calotes no Arena Fundo, que hoje estão contabilizados em R$ 50 milhões e a condenação judicial por não honrar as contrapartidas necessárias para o início das obras do estádio, calculada, em março, no valor de R$ 40 milhões.

Somados, o que, provavelmente, será acertado com a Odebrecht e as demais cobranças listadas, a dívida seguirá portentosa, na casa de R$ 776 milhões, de um estádio orçado em R$ 350 milhões, que depois passou para R$ 800 milhões e, por fim, pouco mais de R$ 900 milhões.

Hoje, segundo balanço do Arena Fundo, o imóvel, depreciado, vale apenas R$ 691 milhões.

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