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A ‘terra arrasada’ do Corinthians

Ainda descumprindo determinação estatutária, que obriga a publicação de balancetes mensais no site do clube, o presidente do Corinthians, Andres Sanches, enfim, revelou os números do primeiro semestre alvinegro, que, conforme adiantado, meses atrás, pelo Blog do Paulinho, são desoladores.

Antes tarde do que nunca.

O valor principal da dívida alvinegra atingiu impressionantes R$ 626,2 milhões (aumento de R$ 149,7 milhões em apenas seis meses), sem a inclusão das pendências do estádio, dos ‘pepinos’ trabalhistas e de algumas sonegações de impostos, milionárias, que estão sendo empurradas com a barriga no âmbito judicial.

Diante desse cenário caótico, é evidente que o clube não conseguirá honrar qualquer tipo de acordo que vier a ser sacramentado, seja com a CAIXA ou com a Odebrecht, sem comprometer a liquidez diária de seus recursos e a qualidade de seu carro chefe, o time de futebol.

Por falar nisso, foi exatamente nesse departamento, que bem poderia ser renomeado para setor de ‘taxinhas’, que o clube meteu os pés pelas mãos.

O déficit no futebol, apenas no primeiro semestre, foi de R$ 95 milhões.

Ainda assim, o clube ousou montar uma equipe B, com a contratação de quase quarenta jogadores, alguns com contratos sendo renovados para 2020, além de pagar R$ 8,5 milhões em comissionamentos a agentes, discriminados como ‘custo de vendas e aquisições de atletas’.

Evidentemente, desse valor com os intermediários, não estão computados disfarces diversos de contabilidade, como simulações de empréstimos e repasses de direitos federativos, que, certamente, elevariam, consideravelmente, o montante apresentado.

Outras dívidas relevantes também são mencionadas.

Os empréstimos subiram de R$ 30,4 milhões, registrados em dezembro de 2018, para R$ 49,1 milhões, em junho de 2019.

Pagamentos a fornecedores (sem especificar quais) saltaram, no mesmo período citado, de R$ 88,9 milhões para R$ 132,5 milhões.

A junção de ‘Direitos de Imagem’ com ‘Encargos Sociais’, que, em verdade, integram os salários dos atletas, aumentou de R$ 90,1 milhões para escandalosos R$ 149,4 milhões.

Entre calotes em impostos assumidos pelo clube (sem contar os que permanecem em litígio judicial), a soma dos que vencem a curto e longo prazo perfaz R$ 234,4 milhões, cobrados, parceladamente, nos mais diversos planos de ajuda governamentais.

Em contrapartida, quase todos os rendimentos do clube tiveram redução de arrecadação.

  • Direitos de TV: de R$ 197,7 milhões em dezembro de 2018, para R$ 91,8 milhões, em maio de 2019.
  • Patrocínios: de R$ 42,8 milhões para R$ 34,1 milhões.
  • Rendas de jogos: de R$ 60,5 milhões para R$ 30,2 milhões.
  • Fiel Torcedor, loterias e premiações: de R$ 18 milhões para R$ 12,4 milhões.

De um cenário com dinheiro em caixa por conta da negociação do jogador William, em 2007, que, ainda assim, era tratado como terrível pelo atual grupo gestor e pelos que os cercavam, à época, como os atuais denominados ‘Corinthians Grande’, ex-“Corinthianos Obsessivos’, Andres Sanches, quase treze anos depois, apresenta sua ‘terra arrasada’.

Levando-se em consideração que o desempenho esportivo alvinegro, no último semestre (que não compreende o balancete apresentado) foi ainda pior, impactando, obviamente, nas arrecadações e fomentando novas contratações, o quadro que se vislumbra para 2020 é ainda mais preocupante.

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