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Novas conversas vazadas revelam que procuradores da ‘Lava-Jato’ tinham ciência de que cometiam atos ilícitos

“”não comenta com ninguém”, “me assegura que teu Telegram não tá aberto aí no computador e que outras pessoas não estão vendo por aí, que falo”, “você vai entender porque estou pedindo isso”, “apaga sim”, “ele (Telegram) está só para mim”, “depois, apagamos o conteúdo”, “vou apagar, ok ?”, “apagado”,”apaguei””

(frases inseridas em mensagens trocadas pelos procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando)


Novas mensagens, desta vez trocadas pelo procurador Deltan Dallagnol e seu comparsa, o também procurador Carlos Fernando, reveladas em parceria do ‘The Intercept’ com o jornalista Reinaldo Azevedo, comprovam a efetividade da participação do então juiz Sergio Moro como manipulador de procedimentos da ‘Operação Lava-Jato’.

Ou seja, o magistrado tomando lado, quando a Lei exige que seja imparcial.

Contextualizando: poucos minutos após receber a ‘sugestão’ de Moro – que, por razões evidentes, tem poder de ‘ordem’ – para trocar a procuradora Laura Tessler das audiências de Lula, pelo fato do juiz não estar gostando de sua atuação, Dallagnol a repassa ao parceiro Carlos Fernando, que cuidou, posteriormente, para que o pedido fosse atendido.

Na audiência seguinte, não só Tessler desaparece, mas os procuradores citados como substitutos (na conversa vazada), Julio (Noronha) e ‘Robinho’ (Roberson Pozzobon), ocuparam sua vaga.

Comprovada a manipulação e a mentira de Sérgio Moro (o Ministro disse, em reunião com senadores, que, apesar da sua ‘sugestão’, Tessler seguiu trabalhando normalmente), o Blog do Paulinho observou, com atenção, detalhes que demonstrariam o dolo dos procuradores, interlocutores do ex-magistrado.

Em diversos trechos da conversa, Dallagnol e Carlos Fernando demonstram ter consciência plena de que praticavam atos ilícitos, fugindo do discurso, aparentemente combinado, entre os procuradores da ‘Lava-Jato’ e o juiz Moro, de que se tratariam de ações corriqueiras de trabalho.

Os pedidos de “não comenta com ninguém”, “me assegura que teu Telegram não tá aberto aí no computador e que outras pessoas não estão vendo por aí, que falo”, “você vai entender porque estou pedindo isso”, “apaga sim”, efetuados por Dallagnol, e as respostas: “ele (Telegram) está só para mim”, “depois, apagamos o conteúdo”, “vou apagar, ok ?”, “apagado” e “apaguei”, de seu interlocutor, demonstram a necessidade de esconder procedimentos.

Exemplos claros de condutas à margem da moralidade, e da legalidade, semelhantes ao comportamento de membros das mais variadas facções criminosas.

Os fins não justificam os meios, ainda mais quando estes envolvem o estupro das Leis, da Constituição, da integridade de investigadores e magistrados, além de, principalmente, do direito de um cidadão receber tratamento imparcial quando confrontado com acusações das quais precisa se defender.


Abaixo, a íntegra das conversas entre Dallagnol e Carlos Fernando, reveladas, ontem, pelo ‘The Intercept’ e por Reinaldo Azevedo:

12:42:34 Deltan: Recebeu a msg do moro sobre a audiência tb?

13:09:44 Não. O que ele disse?

13:11:42 Deltan: Não comenta com ninguém e me assegura que teu telegram não tá aberto aí no computador e que outras pessoas não estão vendo por aí, que falo

13:12:28 Deltan (Vc vai entender porque estou pedindo isso)

13:13:31 Ele está só para mim.

13:14:06 Depois, apagamos o conteúdo.

13:16:35 Deltan: (enviou mensagem de Moro) “Prezado, a colega Laura Tessler de vcs é excelente profissional, mas para inquirição em audiência, ela não vai muito bem. Desculpe dizer isso, mas com discrição, tente dar uns conselhos a ela, para o próprio bem dela. Um treinamento faria bem. Favor manter reservada essa mensagem”

13:17:03 Vou apagar, ok?

13:17:07 Deltan: apaga sim

13:17:26 Apagado.

13:17:26 Deltan: Vamos ver como está a escala e talvez sugerir que vão 2, e fazer uma reunião sobre estratégia de inquirição, sem mencionar ela

13:18:11 Por isso tinha sugerido que Júlio ou Robinho fossem também. No do Lula não podemos deixar acontecer.

13:18:32 Apaguei…

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1 comentário em “Novas conversas vazadas revelam que procuradores da ‘Lava-Jato’ tinham ciência de que cometiam atos ilícitos”

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