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25 anos sem Ayrton Senna do Brasil

(Belíssimo documentário produzido pela TV Cultura, um ano após a morte de Ayrton Senna)

Da FOLHA

Por ERNESTO RODRIGUES

“Quando você via Ayrton entrando nos boxes, depois de conquistar uma pole, os olhos dele pareciam pular para fora”.

A observação, embalada com discreta repulsa, foi a premissa oferecida em 2016 pelo tricampeão Jackie Stewart, notório crítico de Ayrton Senna e incontido defensor do estilo “científico e suave” de pilotagem, o dele, Stewart, antes de reconhecer o que poucos, no mundo da F-1, se atrevem a contestar, há mais de 30 anos: jamais houve um campeão tão veloz como Senna na F-1.

Jo Ramirez, ex-mecânico do mesmo Jackie Stewart na lendária equipe Tyrrell, testemunha de mais de 50 anos dos bastidores da F-1 e mediador nem sempre bem-sucedido do histórico duelo de ego e talento entre Senna e Alain Prost nos tempos gloriosos da McLaren-Honda, confirma: “A diferença básica entre eles era a seguinte: se Prost tivesse um carro absolutamente perfeito para ele, com o acerto que ele gostava, era imbatível. Mas quantas vezes você tem um carro perfeito para você? Pouquíssimas. Ayrton às vezes se perdia no acerto, mas optava por um ajuste idêntico ao de Prost e no final, claro, era mais rápido que Alain”.

O correspondente francês Patrick Camus conhecia de perto o resultado desse duelo, fora da pista: “Eles se odiavam. Quando a gente encontrava Alain Prost fora de um circuito, em Paris, em uma feira ou em um avião, eu falava de Ayrton Senna e ele se contraía”.

O italiano Alberto Sabbatini, da revista Autosprint, dispensa o conforto de dizer que Senna foi “um dos melhores dos melhores” de todos os tempos: “Acho que ele foi o melhor piloto da F-1, mais que Fangio, mais que Jim Clark, mais que Michael Schumacher. Foi o melhor, absoluto, porque foi sempre muito, muito rápido”.

O ex-piloto Enrique Bernoldi, outra testemunha do legado inesquecível que Senna deixou no paddock da F-1, observa que a marca da velocidade esteve com Ayrton até o último instante: “Ele morreu em primeiro, com o Schumacher em segundo”. O jornalista alemão Michael Schmidt, íntimo do mesmo paddock há mais de três décadas, jamais esquecerá os milagres rotineiros de Ayrton em pistas molhadas: “Era como caminhar na água”.

Dois episódios protagonizados por Ayrton marcam a memória do inglês David Tremayne, outro veterano da cobertura da F-1: o momento em que Senna “perdeu o controle e se tornou perigoso”, batendo de propósito em Prost na primeira volta do GP do Japão de 1990, “à frente de 24 carros cheios de combustível e descendo a reta a 240 quilômetros por hora”.

E a capacidade “sobrenatural” de concentração de Ayrton, ao conquistar a pole position na última volta do treino do GP da Espanha de 1990, minutos depois de invadir o centro médico do autódromo e ficar frente a frente com o corpo estropiado do piloto Martin Donnely, nos primeiros momentos de um coma milagroso que duraria três meses, após espatifar sua Lotus-Lamborghini num guard-rail do circuito de Jerez de La Frontera.

O preço dessa intensidade de Ayrton foi percebido por Emerson Fittipaldi, outro ícone da F-1, também campeão e dono atual de um sorriso sereno, tradução da felicidade de ser sobrevivente de um esporte que nunca deixará de ser perigoso: “O Ayrton era um piloto que se cobrava demais. Eu passei muito tempo com ele e às vezes pensava: Não é legal, o Ayrton não está se divertindo com o esporte”.

Vinte e cinco anos depois da escapada mortal na curva Tamburello, já se sabe que Frank Williams, nos anos que se seguiram, vez por outra se culpou sem meias-palavras, nos corredores da sede de sua equipe, pela soldagem desastrada da coluna de direção que lançou o carro contra o muro. E mandou destruir a Williams FW16, sem retirar o plástico preto que a envolvia, assim que o carro foi liberado pela Justiça italiana, em 2002.

Para milhões de brasileiros, aquela sétima volta do GP de San Marino de 1994 nunca vai terminar.

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