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Corinthians indica nova gestora do Arena Fundo, com amplo histórico de corrupção. Odebrecht resiste à mudança

Empresa é acusada de ser “laranja” do doleiro Alberto Youssef no repasse de dinheiro à OAS para utilização nas obras do Edifício Solaris, em que está localizado o Triplex atribuído pela Justiça ao ex-presidente Lula


Em 25 de outubro de 2018, o Arena Fundo, gestor do estádio de Itaquera, realizou Assembléia Extraordinária, tendo como objetivo a troca de dois fornecedores de serviço: a Tejofran (manutenção predial) pela Marserv (divulgada à época pela mídia) e a entrada da Planner Corretora de Valores S/A, ratificando a saída, anunciada um ano e meio atrás, da BRL Trust (responsável pelo fundo).

Ambas as empresas foram indicadas pelo clube, através do primeiro ministro Luis Paulo Rosenberg.

Desde então, apesar de ratificada em Assembléia, a segunda alteração não foi efetivada.

O último balanço da Arena, revelado em janeiro de 2019. ainda contém a indicação da BRL Trust como responsável pelo Fundo.

Existe a necessidade, expressada no Item “C” da ata da Assembléia, da aprovação do departamento de ‘compilance” (que investiga possibilidade de corrupção) da Odebrecht, que é possuidora da “cota mezanino” do fundo, ou seja, tem poder de veto.

Até o momento, isso não aconteceu.

Observando o histórico da Planner passamos a entender as razões da cautela da Odebrecht, que, após os escândalos em que se envolveu tem procurado evitar confusões desnecessárias.

Em março de 2018, a corretora, denunciada pela CVM, teve que assinar “termo de compromisso”, no Processo Administrativo Sancionador 19957.005977/2016-18, com pagamento de R$ 100 mil, após reconhecer a participação em ilícito financeiro conhecido como “spoofing”, resultando em diversos investidores prejudicados.

Segundo o site “JOTA”, especialista no assunto:

“Spoofing é definido como uma ação na qual o operador de mercado busca atrair contrapartes para a compra ou venda pretendida. Ao mesmo tempo que quer vender um ativo, por exemplo, ele lança uma proposta vultosa de compra do mesmo ativo e ao mesmo tempo. Evidentemente, uma das propostas – de compra ou de venda – é usada apenas para maquiar a operação”

“A pressão artificial exercida pela oferta do lote expressivo faz com que participantes do mercado, ao acreditarem na valorização (ou queda) do ativo, melhorem os preços de suas ofertas, o que faz com que o operador alcance o preço pretendido. Com a execução da venda (ou compra), o operador cancela a oferta de compra (ou venda) do lote expressivo”.

Os papéis manipulados pertenciam a VALE e também à PETROBRAS.

Neste mesmo delito (e noutros coligados), a corretora e seus sócios já haviam recebido punição da BSM, órgão da Bolsa de Valores que investiga infrações cometidas no mercado de ações.

Confira íntegra de sentença, datada de 13 de janeiro de 2014:

BSM – punição à PLANNER

Mas a Planner tem problemas ainda mais graves para resolver: relatório da “Operação Greenfield”, da Polícia Federal, desdobramento da afamada “Operação Lava-Jato”, realizado pelo MPF, indica a corretora como participe de organização criminosa que teria desviado R$ 8 bilhões dos fundos de pensão, bancos públicos e estatais.

As investigações seguem em curso.

Selecionamos trechos do relatório do Ministério Público Federal que citam a Planner no contexto criminoso da operação e indicam, também, que a corretora é parceira de longa data da BRL Trust (em ações nebulosas), o que sugere fraude na troca de empresas indicadas como gestores do Arena Fundo:

“A VITÓRIA ASSET MANAGEMENT S/A foi gestora do FIP Multiner até 2012, quando então foi substituída na gestão pela PLANNER CORRETORA DE VALORES S/A, que já era administradora do Fundo. Em após, a VINCI INFRAESTRUTURA GESTORA DE RECURSOS LTDA assumiu a gestão do FIP, ficando a PLANNER CORRETORA DE VALORES S/A somente como administradora do FIP”

“Esse pagamento abusivo e fraudulento de taxas de administração proporcionou o enriquecimento indevido das gestoras/administradoras VITÓRIA ASSET MANAGEMENT S/A e PLANNER CORRETORA DE VALORES S/A”

Consoante seu regulamento, o administrador do Fundo era a Planner Corretora de Valores S.A., entre os anos de 2009 a 2011. Após 2011, assumiu como administradora a BRL Trust Serviços Fiduciários e Participações Ltda”

INVESTIGADOS

“Planner Corretora de Valores S/A, Administradora e Gestora do FIP Florestal e do FIP Multiner, passou a divulgar informações que não retrataram o real prejuízo financeiro do FIP”

“Artur Martins de Figueiredo, Diretor da empresa PLANNER, a qual é Administradora e Gestora do FIP Multiner, foi o responsável por superavaliar o patrimônio líquido do FIP, bem como por ser desidioso na gestão do FIP e da empresa-alvo”

“Eduardo Montalban, Diretor da empresa PLANNER, a qual é Administradora e Gestora do FIP Multiner, sendo responsável pela concepção do FIP de forma claramente prejudicial ao Fundos de Pensão”

Clique no link a seguir para baixar a íntegra do relatório da “Operação Greenfield”:

MPF – Planner – Operação Greenfield

A “Lava-Jato” investiga a PLANNER, também,sob acusação de ser “laranja” do doleiro Alberto Youssef no repasse de dinheiro à OAS para utilização nas obras do Edifício Solaris, em que está localizado o Triplex atribuído pela Justiça ao ex-presidente Lula

R$ 3,2 milhões teria sido a quantia.

Matéria de “O GLOBO” detalha bem o suposto golpe:

https://oglobo.globo.com/brasil/dinheiro-liga-doleiro-da-lava-jato-obra-de-predio-de-lula-17155640

Recentemente, em setembro de 2018, a CVM suspendeu as atividades do Fundo Imobiliário Mérito, administrado pela PLANNER.

O site Investing.com falou sobre o assunto:

https://br.investing.com/news/stock-market-news/cvm-mantem-suspensao-do-fundo-imobilario-merito-e-pede-explicacoes-607136

A Planner figura, também, em listagem da Receita Federal de devedores ativos que financiaram campanha de políticos, no caso, o ex-deputado federal Pedro Eugênio (PT/PE), já falecido.

A grande dúvida, diante desse assombroso histórico da PLANNER, é saber quais razões levaram o Corinthians, que tem em Luis Paulo Rosenberg um especialista em mercado financeiro, tanto em operações como também em levar punições, a anuir com a contratação dessa empresa, que nem mesmo a Odebrecht, ligada historicamente à corrupção, teve coragem, ainda, de aceitar.

Confira a Ata da Reunião do Arena Fundo, realizada em 25 de outubro de 2018:

EM TEMPO: no ano de 2005, demonstrando que as práticas reprováveis são antigas, a PLANNER teve sigilo quebrado pela CPI dos Correios, acusada de conluio criminoso com outras dez corretoras:

https://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u72964.shtml

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