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O Brasil perdeu quatro jornalistas que farão ainda mais falta em 2019

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Alberto Dines, Audálio Dantas, Claudio Weber Abramo e Otavio Frias Filho foram perdas irreparáveis

A imprensa brasileira sofreu quatro perdas irreparáveis neste ano: Alberto DinesAudálio DantasClaudio Weber Abramo e Otavio Frias Filho.

Em tempos de balanço do ano que se vai, e de perspectivas para o que vem, é doído constatar como já fizeram falta em 2018 e como farão em 2019.

Sobre eles, sem pretensão de fazer seus obituários, escrevi no blog que mantenho desde 2005 no UOL algumas linhas que reproduzo aqui como forma de lamento renovado e saudade.

ALBERTO DINES (1932-2018)

Aos 86 anos, morreu o jornalista Alberto Dines.

Sobre seu papel na história da imprensa brasileira não faltarão informações em todos os veículos do país.

Quero apenas chorar a perda de um amigo.

Amigo de quem me aproximei em 1982, na Espanha, por coincidência de onde escrevo, comovido, neste momento.

E com quem tive uma relação bastante feliz, de muito riso. Sempre o chamei de Albertinho e fiz questão de não tratá-lo com a reverência que merecia dos mais jovens.

Ele vinha sofrendo muito já faz tempo e sua morte interrompe dias que não lhe faziam justiça.

É curioso.

O descanso dele, pelo qual torci, não consola agora.

Ficam a dor da perda de tão longe, o carinho e a saudade, para sempre.

Um beijo, Albertinho.

AUDÁLIO DANTAS (1929-2018)

Morreu Audálio Dantas.

O jornalista que enfrentou a ditadura, quando Vladimir Herzog foi torturado e assassinado, com uma bravura e serenidade exemplares.

Morreu um herói brasileiro.

Sem nenhuma bravata, com firmeza e bom senso, ele, presidente do sindicato dos jornalistas de São Paulo, foi essencial para a realização do Ato Ecumênico na Catedral da Sé acontecer como marco para começar o fim dos tempos terríveis vividos pelo Brasil.

Além de ter sido um baita repórter.

A morte dele me pega em Lisboa.

Estou voltando mais pobre do que fui.

Perdi dois ADs. Alberto Dines e Audálio Dantas.

Dois amigos tão especiais. Não está certo.

Antes deles o Brasil era um. Depois deles, outro.

CLAUDIO WEBER ABRAMO (1946-2018)

Claudio Weber Abramo foi das pessoas de temperamento mais difícil que conheci.

E, também, das mais doces figuras que conheci.

Era preciso saber lidar com ele, zombar de sua rigidez.

Rigidez ética que o fazia viver como pensava.

Claudio Weber Abramo foi ainda das criaturas mais inteligentes que conheci.

Capaz de esgrimir uma lógica imbatível, dessas de reduzir o oponente a zero.

Perdemos alguém que o país não sabe calcular o tamanho da perda.

Porque nunca fez questão de ser reconhecido.

Bastaria ter sido mais flexível, ter mais cintura como se diz, para tanto.

Mas jamais aceitou ceder.

E fez muito bem!

OTAVIO FRIAS FILHO (1957-2018)

Estive poucas vezes com Otavio Frias Filho, umas cinco só nós dois, outras tantas com mais gente.

O suficiente para lhe ser grato e admirá-lo, embora com visões diferentes sobre o Brasil e o mundo.

Grato por ter sido quem me acolheu em 1995, quando deixei para trás 25 anos de editora Abril.

Também porque no período em que saí da Folha em 1999, por divergências com ele, ainda assim fez questão de manter a assistência jurídica que a empresa me dava.

E pela insistência em me trazer de volta, em 2005.

Passei a admirá-lo ao constatar o zelo com que tratava o poderio do jornal que dirigia e ao ler seu livro “Queda Livre – Ensaios de Risco”, com sete primorosas reportagens.

Mergulhada num cenário sombrio, a imprensa brasileira perde, precocemente, seu melhor diretor Editorial.

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