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Ele não debate

EDITORIAL DA FOLHA

Bolsonaro nega aos eleitores uma das principais oportunidades proporcionadas pelo 2º turno

Jair Bolsonaro participou dos dois primeiros debates da campanha presidencial em agosto, antes de sofrer o ataque brutal que o forçou a se recolher até poucos dias antes do primeiro turno da eleição.

Na estreia, um candidato adversário mencionou o suposto envolvimento de Bolsonaro no planejamento de um atentado a bomba em 1986, quando estava no Exército.

Na segunda ocasião, o postulante do PSL se mostrou desconexo ao tentar esclarecer seu ponto de vista sobre a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, assunto em que, segundo ele, o governo não deveria interferir.

Depois de passar por esses embaraços, é possível imaginar o alívio que o presidenciável e seus colaboradores certamente sentiram ao se verem livres de novos desgastes.

Por causa do atentado, que o obrigou a se submeter a duas cirurgias e três semanas de recuperação, Bolsonaro ficou impossibilitado de participar de outros quatro debates no primeiro turno.

Mesmo assim, ele não deixou de gravar mensagens para seus seguidores nas redes sociais e conceder entrevistas a emissoras de televisão quando ainda estava internado.

Bolsonaro teve alta uma semana antes do dia da votação. Permanece de repouso em casa por recomendação médica, mas isso não o impede de manter encontros com correligionários, fazer propaganda na internet e receber jornalistas.

No início desta semana, o capitão saiu às ruas pela primeira vez, para confraternizar com a tropa de elite da polícia do Rio numa visita à sede do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope).

Apesar da atividade constante e dos sinais de vigor físico exibidos nos vídeos divulgados, os médicos continuam dizendo que o candidato não está pronto para encarar seu adversário no segundo turno, o petista Fernando Haddad.

A ausência de Bolsonaro já evitou a realização de quatro debates nesta fase da campanha, incluindo o que estava programado para esta quarta (17), organizado pela Folha em parceria com o UOL e o SBT.

Com mais dois encontros previstos nos próximos dias, Bolsonaroparou de esconder seu desinteresse. Desafiado nesta terça (16), limitou-se a ofender o rival na internet, sem dizer se irá comparecer.

No passado, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também evitaram debater com seus oponentes, mas os dois eram candidatos à reeleição e estavam no exercício da Presidência, sob escrutínio permanente.

Não é o caso de Bolsonaro. Seu currículo serve apenas como prova de inexperiência, e ele pouco falou do próprio programa. Os eleitores têm o direito de saber como pretende governar se eleito, e o embate direto entre adversários é das principais oportunidades proporcionadas por um segundo turno.

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2 comentários em “Ele não debate”

  1. FHC em 98 e Lula em 2006 não foram, há alguma obrigatoriedade de comparecer?
    Eu no lugar dele, iria e terminaria com a candidatura do “zumbi” do PT!

  2. Eu imagino vc Paulinho, se carcomendo.
    Mas como FHC, Lula e Dirma tambem não foram, eu que ele não iria, não muda nada o resultado da votaçäo e quem quiser saber como vai ser, aguarde ate Jan 2019 – eu não tenho problema.
    O que sei é que PT NUNCA MAIS, votei no passado e fui assaltado, a educação nunca esteve tão ruim, segurança não existe e morrem de punhado na fila do sus, enquanto lula e sua corja gastam fortunas nos advogadod, filhos millonários. PT NUNCA NUNCA MAIS.
    Agora vamos dar a oportunidade do Bolsonaro e se não funcionar ejetamos ele em 2022, mas PT NÃO!
    Precisa desenhar para você?

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