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Por que o presidente do Conselho Deliberativo está calado sobre a suposta fraude nas eleições do Corinthians ?

Antonio Goulart

Nas últimas semanas, com repique durante o dia de ontem, parte da imprensa vem dando destaque ao relatório do MP-SP, corroborando com parecer da empresa Dynamics Perícias, de que pode ter ocorrido fraude nas eleições do Corinthians.

O Blog do Paulinho, com a credibilidade de ter nadado sozinho, por anos, contra a maré de bajulações que envolvia os dirigentes alvinegros, apontando seus desvios de conduta e demais sacanagens quando todos tratavam-nos como gênios da gestão esportiva, e que, por razões evidentes, não sente-se motivado a defendê-los, enxerga com ressalva as referidas acusações.

Em verdade, são bem frágeis.

O MP-SP, antes de manifestar-se nos autos, teve acesso a três análises periciais.

Duas delas, a Perícia Informática, paga pela comissão eleitoral do Corinthians (formada por desembargadores), e o Instituto de Criminalística (órgão oficial da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), entenderam ter existido problemas na operação das urnas, mas, em momento algum, falam em fraude ou possibilidade de influência no resultado do pleito.

Somente a Dynamics, empresa contratada pelo empresário Paulo Garcia logo após desacordo com o vencedor das eleições, Andres Sanches – a quem ajudou a eleger, elencou alguns fatos suspeitos na operação das urnas.

Diante de dois diagnósticos que não indicavam fraude e doutro que listava problemas, mas ainda assim evitava afirmar o que não poderia comprovar, o promotor Paulo Castilho, amigo pessoal de Garcia e de seu coordenador de campanha, o ex-vice da FPF, Fran Papaiordanou, decidiu seguir os caminhos indicados pelo mais frágil dos argumentos, dizendo que:

“(…) ficou demonstrada a absoluta violação da confiabilidade e seriedade do pleito e o desvirtuamento do processo eleitoral de um dos maiores clubes do Brasil, vez que o presidente e chapas não foram eleitos dentro de um processo democrático íntegro, seguro, confiável e hígido.”

Sentados: Aldo Rebelo, Fran Papaiordanou, Paulo Castilho e Paulo Garcia

Não é, por conta das pessoas que participam da gestão do Corinthians – de fato, capazes das maiores barbaridades, impossível que tenha ocorrido irregularidades nas eleições do clube, mas se faz necessário comprovar as acusações, sob risco de, no caso contrário, acabar chancelando legalidade onde, talvez, até possa ter ocorrido vigarice.

Castilho, promotor experiente, utiliza-se de palavras enviesadas, que sugerem, mas não detalham ou comprovam as violações.

Diante do impasse  e da aparente incerteza do próprio MP-SP, o advogado da empresa Telemeeting, Denis Ricardo Rodrigues, partiu para o ataque:

“Estou achando estranho o promotor (Paulo Castilho) tomar partido. Ele tem falado de falta de idoneidade, baseando-se em um laudo realizado a pedido do Paulo Garcia, que foi candidato. A Telemeeting não colocou perito no caso e tanto o Conselho do Corinthians quanto o instituto de criminalista fizeram um laudo e ambos deram negativo”

Outro fator que gera estranheza, é o fato do presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, o complicado deputado federal Antonio Goulart, que chegou ao cargo bancado e sob as ordens, justamente, de Paulo Garcia, apesar de ter acesso, evidente e privilegiado, à todas as informações, não ter se manifestado à respeito deste assunto.

Pior: Goulart tem poderes, conferidos pelo Estatuto, de iniciar investigação interna e agendar Reunião Extraordinária do Conselho, específica para tratar deste assunto, mas até agora, permanece inerte.

Estaria esperando ordens superiores ?

Se sim, estas viriam, todos sabem, de Paulo Garcia – também com acesso às documentações, que estão em segredo de justiça e somente poderiam ter vazado à imprensa pelas mãos do próprio empresário ou de gente ligada a ele, além da própria promotoria – que, se realmente sentiu-se prejudicado nas eleições, deveria, desde o princípio, mas, principalmente agora, embasado no despacho do amigo Paulo Castilho, ingressar na Justiça Civel, solicitando, oficialmente, a realização dos trâmites cabíveis diante desta grave acusação.

O fato é que o tempo está passando, os atuais dirigentes do Corinthians continuam aprontando, o clube caminha para o caos financeiro, administrativo e esportivo e quem, supostamente, está com a faca e o queijo nas mãos para expulsá-los do Parque São Jorge, seja judicialmente ou politicamente – pelo Conselho, permanece sem protagonizar nenhum tipo de ação.

Há quem diga, no Parque São Jorge, que Paulo Garcia estaria, com o vazamento deste parecer do MP-SP, objetivando aproximação da gestão e consequente divisão de poder – que havia sido prometido por Andres Sanches, e depois foi descumprido, antes das eleições, e que esta seria a razão de fazer “barulho” no foro inadequado, o criminal, que, seja qual for o resultado, não tem poder de modificar o resultado das urnas alvinegras.

Não seria a primeira vez que ambos apresentariam-se “brigados” para a mídia, mas entrelaçados nos bastidores.

Até para que esse tipo de dúvida seja dissipada, a coletividade corinthiana, que envolve desde o mais humilde torcedor até os poderosos donos do poder, aguarda, com ansiedade, o comportamento da presidência do Conselho, que tem em mãos o caminho mais rápido e eficaz para esclarecer o assunto e punir os responsáveis por eventuais falcatruas.

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