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O tempo das execuções

Da FOLHA

Por VLADIMIR SAFATLE

Quem matou Marielle Franco sabe que tem carta branca do poder para usar a violência sem temer as consequências

Nesta quarta-feira (14), o Brasil se deparou com o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL).

Militante dos direitos humanos, ativista negra e relatora da comissão da Câmara de Vereadores responsável pelo acompanhamento dos desmandos da intervenção militar, Marielle denunciara dias atrás execuções do 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em Acari.

Aterrorizando a população civil, o batalhão que mais mata no Rio teria executado dois jovens e jogado os corpos em uma vala. Dias depois, a vereadora foi perseguida por um carro que disparou nove tiros em seu veículo, sem roubar nada. Morreram ela e seu motorista.

Não é difícil imaginar o que deve acontecer depois desse crime: nada, absolutamente nada. Pois ele não é uma exceção. Ele é o modo normal de funcionamento do governo brasileiro.

Há anos, Paulo Malhães, torturador da ditadura militar que começara a falar abertamente à Comissão Nacional de Verdade sobre práticas de assassinato e tortura impetrada por militares, apareceu morto em seu sítio. Nada aconteceu. Seria possível encher toda essa página de casos semelhantes.

Quem cometeu tal crime sabe que pode contar com a segurança e a impunidade de quem faz parte de um Estado dentro do Estado, de quem tem carta branca para usar a violência sem temer suas consequências.

Quem cometeu tal crime não quis apenas assassinar uma vereadora combativa. Quis também atemorizar qualquer um que queira ocupar seu lugar, agir da mesma forma, impondo com isso um sentimento generalizado de impotência e de paralisia diante da violência de Estado.

Por isso, esse assassinato é o modo normal de funcionamento do sistema brasileiro. É assim que se governa no Brasil: usando impunemente a violência policial, assassinando políticos quando necessário, atirando contra manifestantes, executando cidadãs e cidadãos pobres e vulneráveis.

Marielle expôs como a polícia brasileira age da mesma forma que a máfia italiana, mas com a inteligência suficiente para concentrar sua atuação de milícia mafiosa em favelas “invisíveis” aos olhos de muitos.

As mesmas favelas que alguns colunistas deste jornal foram capazes de comparar a países estrangeiros controlados por outras forças e, por isso, meritórios de intervenção militar digna de situações de guerra.

Ou seja, intervenção que trate setores da população como habitantes de um país inimigo, pessoas a serem fichadas, submetidas a humilhações cotidianas e temor constante de simplesmente desaparecerem sem traço.

Não por acaso, antes de ser assassinada, Marielle vinha de um evento chamado Jovens Negras Movendo as Estruturas. No Brasil, a cada 21 minutos, um jovem afrodescendente é morto, o que mostra claramente como se trata de um setor “matável” da população.

Morte, normalmente, sem consequência legal e cuja comoção social provocada pela violência será provavelmente menor. O que expõe claramente o circuito de violência que impera na sociedade brasileira.

O que vemos agora é apenas a consolidação de uma estrutura de fato. Um país comandado por uma casta de indiciados e criminosos que se apoia em poder militar anabolizado e em poder policial descontrolado que há muito se degradou à condição de setor organizado do banditismo nacional.

Algo que desde a época do regime militar com seus esquadrões da morte e da extorsão, com seus delegados Fleury faz parte da paisagem local.

Por isso, há de se insistir: esse não é um crime isolado, nem será o último. Ele é a verdadeira expressão do que significa “governar” no Brasil. Pois esse país é, antes de qualquer coisa, uma forma de violência.

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7 Respostas to “O tempo das execuções”

  1. Ademir J. Silva Says:

    Queria eu ter um canal de comunicação pra escrever tanta bosta como esse aí.

  2. marcospaulo2015 Says:

    Os adoradores do Bolsoasno estão calados. Pq será? Ele foi o único idiota que não disse uma só palavra a respeito deste extermínio. Nem a favor e nem contra. Ou seja, um inútil seguido por boçais de mentes vazias.

  3. Alessandro H.R. Says:

    Será que as ações políticas que o partido dela, o PSOL está fazendo efeito para diminuir essa violência, ou vem contribuindo com mais aumento da criminalidade ? É para se refletir, mas duvido muito que irão, com toda certeza vão usar a morte dela para atacar o conservadorismo da população brasileira, como já vi em alguns sites e blogs de esquerdas.

    Essa vereadora nada mais é que vítima da sua própria agenda política, mas a cegueira ideológica não lhe deixou enxergar um palmo diante do seu nariz.

    a PF já foi colocada a disposição para esse caso, e espero que encontrem o bandido que fez isso com ela, e faça-o apodrecer na cadeia pelo resto de sua vida, mas gostaria que isso tbm acontecesse para os outros 96% dos casos de homicídios onde não encontram os culpados no Brasil, mas infelizmente para os meros mortais pagadores de impostos isso não acontecerá

    Aqui é assim, para aquele cidadão pobre negro que ninguém lembra do nome e mora na favela ou na periferia, e foi morto voltando do trabalho, o seu caso vai ficar impune, e a sua família só lhe resta chorar, pq pessoas como essa vereadora e seu partido, preferem dialogar com bandidos pois acreditam que marginal tem direitos humanos pq são vítimas da sociedade.

  4. sandroso2015 Says:

    Parei de ler no “desmandos da intervenção militar”, vocês ativistas, jornalistas, integrantes do direitos humanos acham que batalhar contra bandido no meio da favela onde é terra de ninguém é fácil? simples? vcs não tem ideia do que é aquilo….desmandos da intervenção é uma afronta ao sentido da coisa,,,,,vcs não em ideia dos buracos lá dentro, não dá pra pra pedir “licença” para subir o morro, é obvio que pessoas de bem vão sentir pois estarão e estão no meio da batalha, não estão num lugar aberto. Precisam entender que bandido não é gente, não é cidadão e estão no meio da “comunidade”, a polícia e forças armadas tem que ir pra cima mesmo tomando todos os cuidados “possíveis”, eu disse “possíveis”. A Vereadora é mais uma vitima.

  5. Alan Cézar (@EUABSOLUTIS) Says:

    Um conduzível, escreveu em post anterior essa “pérola”:

    #######Só vota no Bolsoasno os desprovidos de cérebro. Aqueles que sempre adoraram o regime militar, que desprezavam seus professores de história qdo o assunto era os anos de chumbo no país.######

    Não voto em ditador ou que tenha perfil de um, portanto, não voto no Bostonaro.

    O que me causa espanto, é ver admirador de assassino canalha como foi o Chê, ver admirador de ditaduras tipo as de esquerda, ter a cara de pau e a desfaçatez de criticar qualquer outro tipo de ditadura.

    Ou esses caras são, de fato, manipuláveis, são inocentes úteis ou simplesmente são burros com diploma.

    Eita povinho que gosta de apanhar, mas desde que seja de ditador de esquerda, deve ser mais “gostoso” ir para um paredão do que ir para um “pau de arara”, na visão obtusa deles.

    Eles gostam de ser mandados, manipulados, conduzidos, obedecer ordens, ou seja, serem “carregados” por alguém.

    Por isso dou muita risada dos conduzíveis!!!

    ****Meus sentimentos aos familiares dos atingidos por mais uma lamentável ocorrência com morte que, infelizmente foi atingida uma vereadora no RJ. Que consigam pegar os executores e os mandantes.*****

  6. Edu Pavim Says:

    Lixo de texto.

    No fim, o mau caráter ainda cita um tal de “esquadrão da morte” do período da ditaMOLE, o governo militar, no qual, APENAS, 400 pessoas foram mortas. Números estes que são ultrapassados com 2 dias de carnificina nesta selva, fruto das políticas esquerdalhas implementadas nos últimos 30 anos.

    É, Paulinho, ledo engano vê-lo combatendo o PT, mas no fundo também não passas de um esquerdalha progressista, que surfo na onda do antipetismo.

  7. Renato (@galenoeu) Says:

    O tal “tempo das execuções” já acontece para a população no país há muito tempo.

    Só foi morrer uma representante da burocracia estatal que não serve para nada, vem a falsa comoção ideológica que além de não querer resolver o crime, também vai ser usado para fim politiqueiros estatólatras.

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