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Em nome do filho

Do ESTADÃO

Por ANTERO GRECO

Pais de astros do futebol em geral ficam à sombra. Um ou outro fala demais – e atrapalha

O futebol encheu de orgulho pais de muitos brasileiros. Com razão. O País é pródigo na revelação de astros da bola, que espalham arte pelo mundo. E quem não estufa o peito ao ver o filho entortar adversários, dar dribles e passes preciosos, fazer gols de arrepiar, arrancar aplausos de plateias e suspiros de mocinhas? E ganhar dinheiro, muito e cada vez mais bufunfa?

Tome-se o exemplo maior por estas bandas, e que atende pelo nome artístico (e sinônimo de craque) de Pelé. O adolescente Edson Arantes do Nascimento, 18 anos incompletos, em junho de 1958 dobrou até majestade, ao destroçar a Suécia, na final da primeira Copa conquistada pelo Brasil e que logo mais completará 60 anos. Em Estocolmo despontava para o universo o único Rei do Futebol, legítimo produto nacional, tricordiano de nascença, bauruense por adoção, santista por afinidade. Cidadão do mundo.

Nestas seis décadas de andanças, recordes, reverências, bajulação, contusões, aposentadorias e controvérsias, raras vezes se ouviu falar de senhor Dondinho. E menos ainda foi visto a circular por aí ou a aparecer em estádios. Raras as entrevistas do pai de Pelé. Nos momentos de exaltação ou nas críticas – e foram tantas e variadas –, ficou à sombra do filho famoso. Quieto, no canto dele, a saborear e a amargar a trajetória do Atleta do Século.

Pelé segurou a onda desde o início, com indisfarçável vocação por deixar a família à parte. (E não cabem aqui considerações a respeito de Edinho, o primogênito oficial, nem a falecida Sandra, reconhecida na Justiça.) Nas turbulências, sempre o eterno 10 da seleção deu a cara a bater. Inúmeros são os defeitos dele – como os meus e os seus, amigo leitor; no entanto, não há registros de cartas, manifestos ou desagravos do pai. Bem como não existem relatos de insultos do ídolo a seus detratores, que são incontáveis, sobretudo no Brasil. Aliás, só aqui é desdenhado, menosprezado, diminuído e insultado.

Outro fora de série com selo verde e amarelo é Romário, hoje badalado senador da República e, quem sabe?, postulante ao cargo de governador do Rio. Se Pelé é o Rei do Futebol, o Baixinho poderia pleitear a comenda de Imperador da Área, pois não apareceu ainda quem tenha dominado com tanta perfeição aquele espaço em torno do gol. Cansou de mandar bola para a rede porque tinha senso prático e de colocação como ninguém. Um minimalista na arte de resolver jogadas de ataque.

Romário também foi bom de lábia, e não pode pedir espaço no bloco dos “santinhos”. Jamais escondeu que era da turma da fuzarca, com direito a levar puxões de orelha do senhor Edevair. Mas broncas de leve, porque o pai igualmente era um espírito leve, da bonomia. Curtia as estripulias do pupilo dentro e fora de campo, e não dava pitacos. Deixava que o rapaz resolvesse tudo, desde quando despontou como destaque no Vasco e decidiu debandar para a Holanda e depois Espanha. Romário aparou críticas justas ou maledicentes com seus próprios meios – e com língua ferina.

Nélio Nazário ensaiou atrair holofotes no auge da trajetória de Ronaldo, o Fenômeno que gerou para o mundo. No início, falava disto ou daquilo, até ser discretamente escanteado pelo filho e assessores. Foi curtir a vida e deixou o moço crescer, com sucesso e cabeçadas, mas com as próprias pernas.

Ronaldo não costumava circular com sr. Nélio a tiracolo, nem nas etapas de agruras com os joelhos, nos casamentos e separações, nos apoios a este ou aquele cartola ou político. Desde os 18, o Fenômeno é responsável pelos atos e opções.

Neymar tem 26 anos, muito futebol, fama, fortuna, e por ora nenhum título mundial com a seleção. E ainda tem o pai a manifestar-se frequentemente, e com termos duros, a cada crítica mais contundente que recebe.

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