O futebol de Arnaldo Ribeiro é mais triste

No futebol moderno, cada vez mais raro, o drible, nos pés de quem tem habilidade, é diferencial notório para equipes bem treinadas superarem adversários de potencial semelhante.

É muito mais fácil, com treinamento constante e dedicado, o jogador aprender apenas a passar.

Por isso, num futebol em que todos “passam” – o que não é ruim, vide os casos de Barcelona e Manchester City, ser diferente na ação, com o drible, é desconcertar aquele adversário que passou dias a fio treinando como superar suas qualidades.

Nos dias atuais, o melhores jogadores do mundo, pelo menos os citados pela maioria, são excepcionais dribladores, cada qual a seu estilo: Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar.;

Desnecessário, por razões óbvias, falar do mais espetacular de todos, Mané Garrincha, que, além de deixar torcedores de boca aberta durante toda a carreira e apavorar seus adversários com sua diabruras, demonstrou, na Copa do Mundo de 1962, que seu futebol, além de magnífico era eficaz.

Lamentavelmente, alguns jornalistas, quase sempre os adeptos do esporte de “números”, que, por vezes, enxergam táticas surrealistas onde impera a simplicidade, parecem ter verdadeira ojeriza pela corajosa união da arte com a eficiência.

No twitter, o jovem Arnaldo Ribeiro, da ESPN Brasil, desabafou:

“Drible é o assessório mais irrelevante do futebol. Foi potencializado pelos games. Envenena s nossos garotos, que não trabalham o principal fundamento do jogo: o passe. Entre o passe e o drible, sempre o passe”

O comentário, profundamente infeliz, trata-se, antes de tudo, de deslealdade com os fatos.

Se o principal fundamento do jogo talvez seja o “passe”, como bem afirmou Ribeiro – na parte mais lúcida de sua opinião, dizer que o drible foi “potencializado pelos games” é surreal, inverídico e desinformado.

Não se tem notícia de videogame capaz dessa proeza até o início dos anos 90.

Tratar o drible como irrelevante é opinião do comentarista, da qual discordamos, pelos motivos elencados neste texto, abertamente.

Por fim, é bom deixar claro: Arnaldo Ribeiro, a quem respeito, tem o direito de expressar seu pensamento, que é passível de críticas, como a postada neste momento, que insere ainda a conclusão de que o futebol perfeito do jornalista é, provavelmente, bem mais triste do que o que aprendemos a admirar.

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Uma resposta para O futebol de Arnaldo Ribeiro é mais triste

  1. Arnaldo Ribeiro nunca jogou bola e nem a conhece. Deve ver jogo de futebol por fotografia. Que digam que o drible é um acessório fundamental ao esporte da bola: Pelé, Maradona,Rivelino,Garrincha, Zé Sérgio, Edu(ex-ponta do Santos), Cafuringa, Osni (ex-ponta do Vitória), Elói(ex-ponta do Náutico nos áureos tempos ), Manoel Maria, Kaneko, Messi. Pobre Arnaldo Ribeiro.

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