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Mito de pés de barro

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Do ESTADÃO

Por VERA MAGALHÃES

No primeiro percalço, Bolsonaro expôs ao País o material do qual é feito, mas idolatria persiste

Um conhecido aforismo conta que, certa feita, Nabucodonosor, rei da Babilônia, sonhou com uma estátua de um gigante cuja cabeça era feita em ouro, o tronco e os braços em prata e bronze, as pernas em ferro e os pés em barro. Uma pedra vinha e, atingindo os pés sensíveis, derrubava a estátua de uma vez. Chamou os sábios para interpretar o sonho e eles viram ali o destino não só do império, mas da humanidade.

Desde então a história vem sendo usada como alegoria daquilo que, parecendo sólido, se desmancha ao primeiro impacto. A história está cheia de ídolos de pés de barro, e volta e meia eles aparecem na política.

Geralmente falam grosso, fazem bravatas, ameaçam os que não se curvam, impressionam os incautos, mas não resistem ao mínimo choque, às vezes com seu próprio passado.

O “mito” (sic) da vez na política brasileira, Jair Bolsonaro, já permitia antever – sem a necessidade de sábios para desvendar nada – que continha em sua composição, se não todos os metais nobres da estátua do rei, ao menos o barro a lhe arrematar os pés. E bastou ser confrontado de leve por dois questionamentos básicos para um candidato – seu patrimônio e o uso que faz, como parlamentar, das verbas a que tem direito em seu mandato – para despencar do pedestal em que foi colocado por um eleitorado entre perplexo e revoltado com os rumos da política nos últimos anos.

Reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que Bolsonaro e os filhos experimentaram uma evolução patrimonial incompatível com o salário que amealharam com mandatos.

Em vez de explicar a aquisição dos imóveis, muito por valor bastante abaixo do mercado, o deputado fez aquilo que políticos tradicionais – aqueles mesmos dos quais ele tentava se diferenciar na base do gogó bravateiro – fazem: tergiversou, culpou a imprensa, distribuiu impropérios e ameaças, desmentiu o que não foi dito para calar sobre o que foi questionado. Em resumo: enrolou.

Diante da revelação de que usou auxílio-moradia da Câmara mesmo tendo imóvel em Brasília, achou por bem responder aos repórteres que utilizou os recursos para “comer gente” na época em que estava solteiro.

Por fim, ao responder ao questionamento sobre o fato de ter funcionária em seu gabinete que trabalha em Angra dos Reis vendendo açaí e, segundo relatos, faz serviços em sua casa, enrolou, disse que o salário da moça era baixo e não soube explicar ao certo o que ela faz.

Por muito menos que um conjunto de fatos desse, revelado no intervalo de uma semana, o Bolsomito já teria esbravejado nas redes sociais contra adversários, exigido explicações, vociferado contra o mau uso dos recursos públicos e se pavoneado de ser diferente.

Quando é pilhado em práticas semelhantes, no entanto, Bolsonaro recorre aos super trunfos argumentativos de sempre: fez o que “todo mundo faz”, a imprensa o persegue, querem manchar o nome da família etc. Esse discurso é, sem tirar nem pôr, o mesmo de Lula, que usa a idolatria em torno de si para vitimizar-se nos processos a que responde.

Nada disso chega a surpreender quando se conhece a trajetória e o estilo do candidato. O espantoso é que uma parcela de seus seguidores ignore qualquer questionamento em nome da manutenção da mitologia em torno do “escolhido”.

É desalentador constatar que mesmo depois do petrolão, do mensalão e da queda em série de políticos em escândalos de corrupção, alguns deles “mitos” como Lula, uma parcela do eleitorado brasileiro esteja rumando para as urnas em outubro de novo de viseira. A História, mais que aforismos bíblicos, deveria ensinar algo. Mas no Brasil ela teima em se repetir como farsa.

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5 Responses to “Mito de pés de barro”

  1. marcospaulo2015 Says:

    Em pré-campanha à Presidência, Bolsonaro aumenta em 39% gasto com viagens pagas pela Câmara
    Dinheiro público é usado para os voos do parlamentar pelo país, saltou de R$ 261 mil para R$ 362 mil
    14/01/2018 07:49 – Atualizado em 14/01/2018 09:20
    Do EM.

    O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) viajou para Campina Grande, segundo maior colégio eleitoral da Paraíba, para dar palestras, falar com eleitores em praças e conceder entrevistas para rádios locais em 8 de fevereiro do ano passado.

    “Hoje estou perdendo a sessão em Brasília. Gostaria de estar lá, mas para quem tem pretensões outras tem de estar muito bem preparado para aquele momento em 2018. Vale a pena tudo isso aí”, afirmou em entrevista à época.

    A veículos de imprensa paraibanos, apresentou a meta de fazer duas viagens para fora da capital federal por mês: promessa cumprida.

    Em campanha aberta para a Presidência da República, Bolsonaro aumentou seus gastos com passagens aéreas pagas com dinheiro público da Câmara dos Deputados. Levantamento feito pelo Estadão/Broadcast mostra que, nesta legislatura (entre 2015 e 2017), o deputado fluminense gastou 39% mais com passagens custeadas pela Câmara do que no período anterior (de 2011 a 2014): passou de R$ 261 mil para R$ 362 mil.

    O parlamentar mudou o perfil de suas viagens nos últimos três anos, quando começou a ganhar força sua intenção de disputar o Palácio do Planalto após se reeleger, em 2014, como o deputado mais votado (464.572 votos) no Rio. Ele passou a visitar mais cidades de todas as regiões do País, fora do eixo Brasília-Rio, onde trabalha e mora.

    Os deslocamentos para outros Estados saltaram de 23 para 83 – 2,3 por mês. Foram considerados apenas os bilhetes em que Bolsonaro é o passageiro e pagos por meio da cota parlamentar. A um ano para o fim da atual legislatura, ele já se deslocou 351 vezes, ante 404 dos quatro anos anteriores.

    Em Campina Grande, uma das poucas cidades onde o PT perdeu as eleições presidenciais no Nordeste, Bolsonaro pagou, com dinheiro da Câmara, R$ 1.013,69 em bilhetes aéreos. Seu gabinete emitiu as passagens no dia 20 de janeiro do ano passado.

    Hoje, o deputado fluminense é o segundo mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    ‘Mito’

    Bolsonaro costuma ser recebido por apoiadores aos gritos de “mito” nos aeroportos, circula em locais públicos, dá entrevistas e faz palestras relacionadas à segurança pública.

    Em julho de 2017, o deputado seguiu esse roteiro. Foi recepcionado por simpatizantes no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, onde falou em “libertar o País” com a “verdade”. “Longe aqui de estar fazendo campanha política, muito longe disso, mas cada um de nós tem a liberdade de ter o direito de buscar o que é melhor para o País.

    Aqui não tem mais um capitão do Exército, tem um soldado do Brasil à disposição para ir às últimas consequências para retirar aquela podridão que está em Brasília”, esbravejou. Entre junho e julho, o gabinete comprou quatro passagens para Porto Alegre ao custo de R$ 4.456,60.

    A área externa do gabinete do deputado em Brasília estampa uma montagem de fotos em que ele aparece nos braços de seus apoiadores. Procurado, o deputado não foi localizado. No informativo em que presta contas do mandato, ele justifica suas viagens como uma troca de experiências sobre a administração pública.

    Eleito pelo Rio, Bolsonaro tem direito a R$ 35.759,97 mensais por meio da cota parlamentar. Entre 2015 e 2017, ele gastou R$ 967 mil dos R$ 1,3 milhão que tinha direito. De acordo com normas internas da Câmara dos Deputados, “não serão permitidos gastos de caráter eleitoral”.

    Troca de experiências

    Em panfletos para prestar contas do mandato, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) justifica suas viagens como uma troca de experiências sobre a administração pública. “Minhas viagens, em consonância com a abrangência nacional de meu mandato, visam a obter e transmitir conhecimentos e experiências.”

    O chefe de gabinete, Jorge Francisco, afirmou que a estrutura do Parlamento não se confunde com as atividades de pré-campanha. Ele disse também que o deputado viaja a convite para falar sobre segurança.

  2. Alan Cézar (@EUABSOLUTIS) Says:

    E a “briga” entre os Bolsominions e os Lulatubbies só está começando.

    vai ser de doer ver inocentes úteis se “rasgando” em defesa de dois tipinhos. Um sem acusações formais o outro cheio de acusações no lombo, sem contar o caso Rose que não sei onde foi parar.

    Os defensores Bolsominions não recebem mortadela, que eu saiba, para defendê-lo, mas os Lulatubies quando não recebem são coniventes e aceitam qualquer coisa que ele faça, ou seja, inocentes úteis.

    Vou dar muita risada dos tolinhos em 2018!!!!

  3. marcospaulo2015 Says:

    Ele vai rir dos tolinhos….hummmmmmmm. Acho que “tolinhos” são aqueles que julgam pessoas apenas por discordar de algum assunto. Discorda do Bolsotario é sinal de ser mortadela.

  4. Alan Cézar (@EUABSOLUTIS) Says:

    Os tolinhos são aqueles coitados seres que, diante de realidade absurdamente clara de desvio de conduta de alguém, a ele apoia.

    Não adianta, apoiar tranqueira só discordando dos outros. Tem que discordar do que não presta e, nesse caso, a mim, nenhum dos dois vale um prego enferrujado. Aliás, ainda não vi candidato à presidência em 2018 que valha um prego enferrujado.

    Tenho dó de seres que acreditam cegamente em fanfarrões, que fazem da mentira sua razão de viver.

    Será que os tolinhos ou inocentes úteis alunos de creche, vão entender algo colocado no link abaixo? Espero que sim, é bom ler até o fim:

    https://www.correiodobrasil.com.br/cesar-benjamin-crise-lula-e-o-pt/

    Nesses trecho tem coisas interessantes sobre o que os Lulatubbies não conseguem enxergar:
    ZUENIR VENTURA – Quando você saiu do PT e por quê?
    ZUENIR VENTURA – Você não pensou em denunciar ao Lula?

    Vou rir muito dos Bolsominions e dos Lulatubbies (os teletubbies tupiniquins) em 2018!!!!

  5. Divanio (@DCLS45) Says:

    Tá bom então: vou te chamar de salaminho, seu asnático.

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