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Muralha e Solitinho

Errou a mão o jornal Extra ao utilizar-se de Editorial para, em vez de praticar jornalismo, aproveitar-se da rejeição do torcedor às fracas atuações do goleiro Muralha, do Flamengo, em clara tentativa de promoção.

Conseguiu chamar a atenção, mas de maneira bem negativa.

Uma coisa é determinado colunista, em texto autoral, dizer que deixaria de tratar o atleta Alex pelo apelido Muralha, outra é uma empresa, por imposição, proibir todos os seus jornalistas de utilizarem-se do termo.

O peso é maior, com o agravante de, nitidamente, em vez de criticar a carreira de Muralha, o que seria perfeitamente aceitável, achincalhá-lo com objetivos comerciais.

A repercussão foi tão grande que virou notícia no New York Times:

Nos anos 80, lembrei-me de um episódio em que uma carreira promissora foi ceifada por conta de exagero em crítica motivada pela necessidade de audiência.

Havia um jovem goleiro no Corinthians, de nome Solitinho (falecido, recentemente), que iniciou no clube com atuações notáveis, tanto que seu irmão Solito, mais velho, teve que aguardar oportunidade no banco de reservas.

Porém, em determinado momento, vítima de um setor defensivo falho, Solitinho começou a levar muitos gols, e, por coincidência, os piores deles aos finais de semana, quando era exibido o Fantástico, da Rede Globo.

A emissora, que sempre destacava “o artilheiro do Fantástico”, decidiu, então, diante duma falha do goleiro numa quarta-feira, em cobrança de falta de Dicá, da Ponte Preta, que escapou-lhe das mãos e foi para no fundo das redes, esquecer a boa atuação do final de semana, tratando-o, com direito a coletânea de falhas, como “frangueiro do Fantástico”.

Soltinho perdeu a posição e nunca mais recuperou-se na carreira.

A história posterior é conhecida: seu irmão Solito, com Solitinho no banco, sagrou-se Campeão Paulista no time de 82, o da Democracia Corinthiana.

Por sorte e competência, profundo conhecedor da profissão, Solitinho encontrou-se, mais à frente, como preparador de goleiros dos mais competentes, responsável direto por diversos grandes arqueiros que se desenvolveram no Parque São Jorge.

Tanto “Extra” quanto o “Fantástico” trocaram, cara qual a seu estilo, a crítica jornalística pela pura galhofa, sem medir consequências, seja para os desdobramentos nas carreiras dos atingidos, como também para a credibilidade de seus veículos, que, em primeiro momento agradará aos torcedores adversários, mas, em prazo curto, servirá de muleta a estes mesmos no sentido de comparar o episódio com outras incursões opinativas que considerem desfavoráveis.

ATUALIZAÇÃO:

Editor do EXTRA pede desculpas, em programa do SPORTV, pelo excesso:

“O “Extra” pede desculpas a qualquer pessoa que tenha entendido mal, entendido essa brincadeira como algo destrutivo, algo que pudesse acabar com a carreira do Alex Muralha, que sinceramente não acho que seja o caso. Entendemos essas opiniões. Bola para frente (…) A gente dá a maior força para o Muralha, não quer ter rancor. A gente queria fazer uma brincadeira e para quem não entendeu, para quem achou que foi um pouco longe demais, a gente pede desculpas”

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