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Relato sobre visitas ao Museu do Futebol e aos três maiores times de futebol paulistanos

Por JOSÉ RENATO SÁTIRO SANTIAGO

“Ao respeitarmos a história, aprendemos e evoluímos” esta era uma crença do meu avô Felipe, um sertanejo de Russas, cerca de 180 km da capital cearense, Fortaleza, que desde sempre manteve o hábito de registrar a história do esporte que mais amava, o futebol. Muito por conta dele, comecei a estruturar meu acervo de publicações sobre o esporte bretão, bem como escrever sobre ele.

Durante esta semana, mais especialmente entre os dias 25 e 26 de julho, acompanhei um amigo cearense em visitas a alguns locais importantes que contribuem para o registro e perpetuação da história do nosso futebol. Por conta do tempo escasso, preparamos um roteiro enxuto que contemplou o Museu do Futebol e os três maiores clubes da capital, São Paulo, Palmeiras e Corinthians.

Quero compartilhar um pouco de minhas impressões, como visitante, sobre estes locais.

Museu do Futebol:

Ainda que no site estivesse registrado 10h como o horário de abertura, ao chegarmos havia um informe que durante as férias abriria às 9h.

Pagamos R$ 10 pela entrada, a mais barata de todos os locais.

Por já ter o visitado antes e saber que algumas das imagens expostas foram fotografadas a partir do meu acervo, disponibilizado gratuitamente, me preocupa o fato de não ter notado qualquer atualização na exposição, algo que talvez contribua para que o público fosse tão baixo, ainda que tenha ouvido falar que ele seja um dos mais visitados da cidade.

Havia um grupo de crianças em visita, sendo acompanhado por uma monitora divertida. Achei isto muito legal. Pena que ela tenha sido a única, entre as que ali trabalhavam, que parecia feliz.

As atividades de interação atraíam pouco interesse, talvez por haver apenas uma bolinha para as três ou quatro mesas de ‘pebolim’. Mais sucesso fazia o ‘Chute ao Gol’, atividade que, diante as possibilidades tecnológicas presentes atualmente, parece meio ‘empoeirada’.

Mais renovada, a biblioteca, dentro do que é chamado o centro de referência, recebe erroneamente no site o título de “A maior biblioteca sobre futebol”. Talvez fosse interessante, ainda mais por ser um espaço público, uma rápida pesquisa que permitisse esta correção. Esta biblioteca não é a maior sobre futebol, e bem sei do que estou falando. De qualquer forma, foi um passeio legal, mas que parece ter parado no tempo. Definitivamente o museu do futebol pode ser muito mais do que é.

(NOTA DO BLOG: a maior biblioteca sobre futebol do planeta pertence a José Renato Sátiro Santiago e está registrada no Guiness Book)

São Paulo Futebol Clube:

Marcado para às 12h, o tour pelo estádio que custa R$ 40, começou rigorosamente no horário. O guia foi muito simpático e tinha a preocupação de passar os principais fatos da história do tricolor. Não poupou, no entanto, a fazer alguns comentários provocando os rivais, ainda que tenha tido o cuidado de não citar seus nomes. Deixou claro que todos os presentes, ainda que não torcessem para o São Paulo, poderiam se sentir à vontade, a única ressalva foi no vestiário, quando destacou que não fossem batidas fotos pejorativas ao clube.

Quando perguntou ao público quem marcou mais gols na história do futebol, na tentativa de exaltar um ex-jogador tricolor, citou Friedenreich em vez de Pelé. Um erro crasso e muito básico. Seja qual for o motivo, imperdoável. Mudar a história de acordo com a própria conveniência é um absurdo, algo que se repetiria no Palmeiras.

O passeio é interessante muito mais pelo fato da possibilidade de entrar em locais exclusivos aos atletas em dias de jogos do que por qualquer outro motivo, uma vez que sequer existe uma loja oficial do clube no estádio, que possui alguns locais interessantes para almoçar, algo legal, repito, mais pela atmosfera.

O ponto forte da visita é a entrada ao campo, sob o som da torcida, o trajeto realmente é emocionante, até mesmo para quem não é tricolor, como alguns confessaram posteriormente.

Por fim, o vestiário parece decadente, carecendo reforma, o que pode ser comprovado pelo fato das fotos de alguns jogadores estarem fixados por fita crepe, sem muito cuidado.

Sociedade Esportiva Palmeiras:

Era uma terça-feira e ao passar a frente do Allianz Parque havia a indicação que o tour pelo estádio, que custa R$ 55, acontece a partir das quartas-feiras, o que contrariava o site. Ainda assim fomos em frente e a moça da recepção nos passou que a informação pintada na parede do estádio estava errada, o tour poderia ser feito.

Tivemos a sorte de contar com presenças ilustres em nosso tour, três craques palestrinos, Ademir da Guia, César Maluco e Dudu, que poucas emoções provocaram aos demais presentes.

Neste sentido, o guia, ainda que simpático poderia ter explorado mais as presenças deles, em vez de gastar seu tempo explicando sobre a conquista de um torneio como se o mesmo fosse mundial, no caso a Copa Rio de 1951. Como já dito, mudar a história de acordo com a própria conveniência é um absurdo, o Palmeiras é maior que isso, e certamente um dia vai conquistar seu primeiro mundial.

Me identifiquei como torcedor de outro time, um rival, e fui muito respeitado. Não houve qualquer tiração de sarro, a não ser pela afirmação do guia quanto ao fato de “certo estádio na zona leste não ter escada rolante”.

O vestiário talvez seja a parte mais legal do tour, grande, claro e cheio de imagens de conquistas alviverdes. Já o gramado nos pareceu bem prejudicado, ainda que o guia tenha justificado que a grama é que estava alta. A verdade, no entanto é inegável, o gramado está ruim.

Diferente do tour no Morumbi, na arena gerida pela W Torre há certo destaque aos artistas que já realizaram shows no local, com indicação dos locais utilizados por eles, ainda que, por conta do horário, a escuridão dominasse e as luzes internas não tivessem sido ligadas, sem que houvesse qualquer explicação para isso.

Sport Club Corinthians Paulista:

Diferentemente do que foi feito nos outros clubes paulistas, a visita no time alvinegro foi em seu memorial, localizado em sua sede, e não no estádio em Itaquera.

Chegamos por volta das 9h30 e esperamos ao lado da catraca a abertura do local, junto a uma senhora que controlava a catraca do memorial. A conversa estava boa até que revelamos não sermos torcedores corinthianos, mas sim de outro alvinegro, o Ceará. O que vimos desde então foi desolador. Ela fechou a cara e passou a nos tratar de forma ríspida.

Para tentar melhorar o clima, por conhecer a história alvinegra, comecei a destacar o quanto foram épicos os feitos corinthianos em 1976 no Maracanã e 1977, no fim do tabu e apoiei gentilmente minha mão em seu ombro. Foi quando ouvi “tire a mão de mim rapazinho”. Fiz de conta que não tinha entendido e me afastei.

Aguardamos a abertura às 10h, que começou com as luzes desligadas.

Ainda que se trate de uma senhora, este tipo de comportamento é tudo o que não devemos estimular. Tratar com o publico demanda respeito e isto faltou, e muito, no memorial que é, inegavelmente o mais completo, interessante, espaçoso e atraente para o público.

Até mesmo o custo de R$ 18 é o que tem a melhor relação custo benefício dentre os locais visitados.

Um espetáculo, ainda que o quadro de fotos das equipes não esteja atualizado, a última foto é de 2014, mesmo que haja um espaço de destaque para a conquista do campeonato paulista desse ano. Outra coisa bem legal é a calçada da fama e a exposição de fotos sobre os 100 anos do Derby.

Uma pena que a visita que tinha tudo para ser a melhor de todas tenha sido estragada por conta da senhora da catraca, filha, segundo ela, de um histórico torcedor corinthiano.

Por fim, mais um destaque negativo, o fato da loja oficial do clube não ter camisas oficiais do clube para vender, informação compatilhadas nas inúmeras faixas expostas logo na sua entrada.

A razão de compartilhar estas experiências tem como único objetivo contribuir, de alguma forma, para que todas elas se perpetuem naquilo que têm de bom e melhorem naquilo que for necessário. Por conta disso, de qualquer forma, o simples fato dos clubes terem estes espaços, bem como haver o Museu do Futebol, é algo extremamente positivo que deve ser destacado e elogiado.

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